"Despertar"

Desde o princípio, ensinaram-me a calar. A domesticar o grito que nascia no meu peito, a dobrar os joelhos diante de altares onde a minha fé não habitava. Tentaram convencer-me de que obediência era virtude, de que silêncio era santidade, de que a disciplina era submissão. Mas em mim, sempre em mim, havia algo que não se deixava matar: uma força escondida, uma fúria contida, uma chama indestrutível.

Chamaram-lhe monstro. Mas o que eles chamaram de monstro é apenas a centelha de Deus em mim. É o sopro divino que não aceita jaulas. É a energia primeira, bruta, sem forma, mas santa. É o poder de criar e destruir, de erguer muralhas e de derrubá-las, de proteger o que é meu como quem guarda a própria eternidade. Essa força não é escuridão — é fogo. Não é perdição — é caminho. Não é violência — é parto.

E haverá um dia, um dia inevitável, em que esse poder desperto atravessará tudo. Nesse dia, o mundo conhecerá a mulher na sua forma verdadeira: não a sombra que o ensinaram a suportar, mas a totalidade que foi escrita para ser. Uma mulher feita de colo e espada, de ternura e tempestade, de lágrimas que curam e de palavras que incendiariam desertos.

Mas sei também que o mundo vive rodeado de falsidade: seres que não sabem amar, que fogem ao peso da entrega, mas que exigem incessantemente ser amados. Parasitas emocionais, parasitas espirituais, que querem o fruto mas não a raiz, a bênção mas não a cruz, a abundância mas não a semente. Mas viver de amor sem amar é a maior das farsas humanas, a mais insidiosa forma de covardia.

Eu não. Eu recuso essa hipocrisia. Porque sei que amar é o maior dos poderes. Amar não me diminui — multiplica-me. Amar até os que não me amam é a mais pura expressão da liberdade. Porque amar é reinar: é dar sem perder, é transbordar sem secar, é tornar-me fonte onde outros só veem deserto.

E hoje eu sei: ser mulher, ser mãe, é ser templo e relâmpago. É ser raiz e vento. É trazer no ventre o mistério da vida e no olhar a coragem da eternidade. É ser o gesto que acolhe e o grito que desperta.

Quando essa força desperta, não há muralha que resista. Porque o mundo pode até ignorar a mulher que se cala. Mas não poderá nunca resistir à mulher que ama com verdade, à mulher que se ergue com fé, à mulher que explode como profecia viva.

Essa mulher não pede: cria.
Não espera: é.
Não se apaga: acende.
Não se perde: multiplica-se.

E a sua voz, quando se solta, já não é apenas voz — é trovão, é cântico, é eternidade a atravessar a carne do tempo.

"Texto de autoria de(tecehistorias ) <Marisa>, publicado em Fios de Imaginação(@"fios de imaginação") (@tecehistorias)."

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