"Parasita"

 Antes de começarmos, vamos esclarecer uma coisa: é sempre fascinante quando as pessoas tentam insultar-nos com termos que nem sequer entendem na totalidade. Dizem-me parasita, assim, com a leviandade de quem lança uma migalha ao chão. Como se fosse uma palavra simples, uma ofensa direta. Mas, mal sabem eles que, ao usarem esse termo, estão a abrir uma porta para uma conversa muito mais interessante sobre a natureza humana. Porque, se formos analisar a fundo, será que realmente entendem o que significa ser um parasita? Ou será que o estão a dizer sem sequer perceber que, ao fazê-lo, estão a olhar para um espelho sujo e a verem o reflexo da própria insignificância?

Não, não me incomoda que me chamem parasita. Incomoda-me, isso sim, a falta de originalidade e, claro, a falta de coragem. É sempre mais fácil murmurar nas sombras, atirar o insulto pelas costas, onde o confronto direto se torna um risco controlado, não é? É quase como um vício freudiano que vocês têm pelas costas, como se preferissem habitar no espaço de uma covardia latente. Porque a verdade frontal é um terreno que não sabem, nem conseguem, pisar.

Então, se é para me chamarem parasita, pelo menos façam-no com classe, com conhecimento, e – quem sabe – de frente. Mas já sei que isso é pedir demais. Porque, no fundo, o problema não está na palavra que me atiram, mas na vossa incapacidade de reconhecer que todos, sem exceção, começamos como parasitas. Não acreditam? Vamos então mergulhar nesta análise, mas preparem-se: o que vão descobrir pode não vos agradar. E, acreditem, quando esta reflexão terminar, vão perceber que o parasitismo não é só meu – é muito mais vosso do que jamais se atreveram a admitir.

Ah, parasitas. Esse termo tão atirado ao vento, usado por aqueles que, claramente, ainda não perceberam a grandiosidade do que ele implica. Um parasita, para quem não sabe — ou para aqueles cujo cérebro é pouco mais que um órgão decorativo — é um ser que depende de outro, sugando-lhe os recursos, drenando-lhe a vida. Fascinante, não é? Eu diria até poético. Porque, se formos rigorosos, todos nós começamos como parasitas. Literalmente. No ventre materno, éramos criaturas a sugar nutrientes de um ser maior, até nos tornarmos suficientemente fortes para sairmos cá para fora e sermos, também nós, um peso morto na sociedade. Então, quando me chamam parasita, perdoem-me se não sinto ofensa, mas antes uma certa dose de nostalgia pelo nosso início biológico comum. Bonito, não?

Mas há algo intrigante nisto. Não o dizem diretamente. É sempre nas costas. Como ratos que saem das suas tocas apenas quando sabem que o gato não está a ver. Será que não têm os genitais no sítio certo para me enfrentarem de frente? Ah, claro, as costas. Devem adorar atacar pelas costas. Faz-me pensar numa estranha obsessão, quase freudiana, por rabos. Parece que a vossa orientação sexual é, sem dúvida, regida pelas costas, como se a verdade frontal fosse demasiado aterrorizante para as vossas mentes débeis processarem. E o que isso diz sobre vocês? Muito mais do que imaginam.

Vejamos, se eu sou um parasita, então o que são vocês? Hospedeiros? Parabéns, então! A vossa função no grande esquema da vida é servirem de alimento. Que realização magnífica! Vocês vivem para ser drenados. Talvez seja isso que vos incomoda tanto em mim. A minha franqueza, a minha clareza, o meu descarado orgulho em ser aquilo que sou, enquanto vocês, pobres coitados, rastejam pelas sombras, a murmurar as vossas ofensas sem sequer conseguirem erguer a cabeça. Atiram-me o termo "parasita" como se fosse uma ofensa mortal, sem perceberem que a verdadeira ofensa está na vossa falta de coragem.

Chamam-me parasita porque, imagino, não têm nada mais original para atirar. Mas, que interessante ironia! Se formos analisar bem, parasitas são precisamente aqueles que se alimentam da vida dos outros sem nunca contribuírem com nada. Não é exatamente o que vocês fazem? Sugam a energia de quem vos rodeia com os vossos comentários fúteis e as vossas críticas vazias. Alimentam-se de intrigas, de dramas de corredor, de fofocas e sussurros venenosos, porque são incapazes de criar algo de valor. Vocês, meus caros, são parasitas emocionais. Precisam do caos dos outros para se sentirem vivos, porque dentro de vós não existe nada. Apenas um vácuo, um buraco negro onde deveria estar uma alma, mas onde reina apenas uma profunda e deprimente insignificância.

Agora, parem e pensem por um momento. Quem é o verdadeiro parasita? Sou eu, que vivo com clareza, ou são vocês, que precisam das sombras, das costas alheias, para sobreviver? O que é mais desprezível? Alguém que vive à custa do outro, assumidamente, ou um grupo de indivíduos miseráveis que vive à custa da falsidade, da intriga, da pequenez moral, tudo enquanto fingem ser algo mais do que são? O vosso teatro de vida é, no mínimo, patético. Eu, pelo menos, sou um parasita consciente. Vocês, nem isso.

Se eu sou um parasita, sou um parasita de luxo. Não me escondo. Não me disfarço. Não preciso das sombras para viver. Vivo à luz do dia, sem pedir desculpa por existir, enquanto vocês rastejam como vermes, incapazes de enfrentar a realidade de quem são. Vocês são parasitas sem qualquer graça, sem qualquer talento. Onde está a vossa dignidade? Ah, sim, desculpem. Esqueci-me. Vocês não têm nenhuma. A vossa dignidade foi sugada, talvez por outros parasitas como eu, que perceberam cedo que a dignidade é um fardo desnecessário para quem quer realmente sobreviver neste mundo.

E depois, há a vossa hipocrisia, essa maravilhosa capacidade de criticarem o comportamento dos outros enquanto praticam exatamente o mesmo, mas com menos estilo e ainda menos inteligência. Vocês acusam-me de parasitismo, mas o que fazem da vossa vida? Sugam a energia de quem vos rodeia com os vossos pequenos joguinhos de poder, as vossas intrigas de bastidores, as vossas acusações rasteiras que nunca têm coragem de dizer na cara. Atacam-me nas costas porque, ao contrário de mim, não têm força suficiente para enfrentar de frente quem vos despreza. Sim, desprezo-vos, porque não há nada mais digno de desprezo do que alguém que acusa os outros de comportamentos que secretamente inveja. E, convenhamos, no fundo, vocês gostariam de ser como eu. Ter a audácia de ser aquilo que sou, sem medo, sem remorsos, sem a vossa patética moralidade a pesar-vos nos ombros.

E, falando de moralidade, isso é uma coisa que não vos assenta muito bem, pois não? Como é fácil atirarem-me pedras quando vivem numa casa de vidro. Mas, por favor, continuem. Continuem a chamar-me parasita. Continuem a sussurrar nas minhas costas, como se isso fosse alguma forma de poder. No fundo, é apenas uma confirmação da vossa pequenez. Vocês são parasitas de segunda categoria, sem a coragem de assumir o que realmente são.

Vocês não têm valor por si próprios. Não têm substância. Precisam de alguém para odiar, alguém a quem possam apontar o dedo, porque, caso contrário, teriam de enfrentar a dolorosa realidade de que não são nada. Absolutamente nada. E essa é a vossa verdadeira tragédia. Eu, ao menos, vivo com um propósito. Vocês vivem à sombra dos outros, como parasitas que se escondem debaixo da pele, esperando o momento certo para morder. Mas não morderão nada. Nunca.

A verdade é esta: vocês são fracos. Fracos e insignificantes. São pequenos seres rastejantes, sem coragem, sem valor, sem sequer a capacidade de serem honestos convosco próprios. E isso, meus caros, é a definição máxima de parasitismo. Eu, pelo menos, sou um parasita que vos drena de frente. E, se me chamam parasita, eu aceito. Mas se vão continuar a murmurar nas minhas costas, façam um favor a vocês mesmos: tenham, pelo menos, a decência de perceber que, ao fazê-lo, estão apenas a admitir que são ainda mais parasitas do que eu.

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