"Não pise na minha palavra."
Sou mulher, e se há algo que jamais tolerarei é ver a minha palavra posta em causa. Pior do que uma afronta, é uma tentativa de questionar a minha integridade, como se a minha postura na vida fosse permeável a qualquer tipo de mentira ou dissimulação. Não sou, nem nunca fui, mentirosa. E se é verdade que todos temos a capacidade de distorcer a realidade, de manipular os factos ou de ocultar aquilo que não nos convém, escolho, deliberadamente, não o fazer. Esta escolha não é fruto de conveniências momentâneas ou de uma moral que se ajusta conforme a ocasião. Não. É um princípio. Um valor que carrego com um peso consciente e do qual não me desvio.
A integridade, para mim, não é apenas uma palavra bonita a ser usada em debates ou conversas de ocasião. É a base que sustenta quem sou. Acredito que, num mundo onde a ética é cada vez mais flexível, alguns de nós ainda sabemos o que significa ser verdadeiro. Não há nada mais importante do que a nossa palavra, e é por isso que a cumpro — sempre. Cumpro horários, cumpro promessas, e, sobretudo, cumpro o que digo. Não sou dessas que se esconde atrás de desculpas ou de meia-verdades para fugir à responsabilidade. A minha palavra é a minha honra, e não há nada mais sagrado do que isso.
Na maior parte do tempo, confesso, prefiro ignorar aqueles que não estão à altura dos meus princípios. Não vale a pena gastar energia com quem não tem noção de respeito, com quem vive de jogos de manipulação ou da tentativa de desvalorizar os outros para se sentir superior. Com essas pessoas, faço o mesmo que faço quando encontro fezes de cão no passeio: desvio-me, contorno-as, e sigo em frente. Não piso, porque, afinal de contas, quem é que quer carregar essa sujeira consigo? Essas pessoas, para mim, são meras inconveniências, como o lixo espalhado nas ruas — presentes, mas indignas de consideração.
No entanto, não se enganem. Ignorar não é fraqueza. Não é submissão, nem passividade. É uma escolha, uma estratégia para preservar a minha paz e o meu equilíbrio. Mas há momentos em que a paciência tem limites. Se alguém me desafia diretamente, se alguém se atreve a ultrapassar a linha do respeito e me ameaça ou questiona a minha integridade, então a história muda. Não sou mulher de recuar perante afrontas. Se dizem que querem avançar, eu avanço. Se me pedem provas, eu dou. Nunca lanço uma palavra ao vento sem ter como sustentá-la. Se afirmo algo, é porque estou segura do que digo, e se é necessário provar, não hesito. A diferença entre falar por falar e falar com verdade é que quem tem a verdade consigo, tem a confiança necessária para enfrentar qualquer desafio.
Agora, se estivesse errada, se não tivesse como sustentar o que digo, não me restaria outra coisa senão aceitar a minha insignificância naquele momento. Admitir a falha e recuar. Contudo, essa não é a realidade que vivo. Não sou dada a ilusões de grandeza, mas também não aceito ser diminuída injustamente. E se sei que estou certa — e raramente estou errada quando coloco a minha palavra em jogo —, então vamos em frente. Sem medo. Sem vacilar.
O que me irrita profundamente é a falta de seriedade com que algumas pessoas lidam com o compromisso de serem coerentes e verdadeiras. Vivemos numa sociedade onde se banalizam mentiras, promessas vazias e uma moral que se ajusta ao sabor das conveniências. A palavra já não tem peso. O compromisso é descartável. Mas eu não me guio por essas novas "normas" sociais. Sou de outra escola, uma onde o carácter era medido pela firmeza da palavra dada. Onde ser pontual não era apenas um sinal de responsabilidade, mas de respeito pelos outros. Onde cumprir o que se diz era a base da confiança mútua. E eu continuo a seguir esses princípios, mesmo quando o mundo à minha volta parece desabar no caos da relativização moral.
E é aí que reside a minha força. Não na agressividade, não no confronto constante, mas na certeza de que sou fiel a quem sou. Na convicção de que, enquanto muitos se afundam nas suas próprias mentiras, eu permaneço firme, inabalável, com a consciência limpa e a verdade do meu lado. E para aqueles que insistem em testar os meus limites, deixo um aviso: eu não recuo. Podem desafiar-me, podem tentar descredibilizar-me, mas se avançam, eu avanço com mais força. Não temo os confrontos, porque a minha segurança reside no que é real, no que é provado. E isso, meus caros, é uma força que poucos podem derrubar.
Por isso, se me querem desafiar, estejam preparados para encontrar uma mulher que não vacila, que não recua, que não teme o confronto quando tem a verdade consigo. Porque, no final, aquilo que importa não é a quantidade de palavras que se diz, mas a firmeza com que se sustenta cada uma delas. E, quanto a mim, a minha palavra é uma rocha — indestrutível, inabalável.
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