Um dia!
Um dia, a minha casa ficará envolta em silêncio, um silêncio que já não será quebrado pelos sons rotineiros da vida que emana do meu ser. A porta, essa mesma que tantas vezes abri para acolher o mundo, permanecerá fechada. Não me levantarei para ver quem chama, não responderei aos toques insistentes do telefone. A minha voz, que tantas vezes ecoou nas preocupações diárias, não se erguerá mais para perguntar se tens fome, se precisas de algo, se o mundo lá fora, em todo o seu esplendor ou caos, te exige um casaco nas noites frias.
Nesse dia, as minhas palavras estarão apenas onde sempre pertenceram de forma genuína: nos meus versos, nas linhas que deixo como promessa de um amor eterno. Porque o amor, esse sentimento que transcende o corpo e a presença, estará gravado na tinta, imortalizado nas páginas que, um dia, poderás folhear quando a minha voz já não ecoar pelos corredores.
Peço-te que não chores por mim, pois não terei partido no sentido habitual da palavra. Na verdade, apenas terei encontrado outra forma de existir, uma existência que se embebeu na luz que tudo revela, no silêncio que tudo compreende. Porque, no final, a morte não é uma ausência, mas uma transfiguração. Terei trocado as palavras faladas por aquelas que deixo escritas, e o som pela serenidade absoluta que sempre busquei. Não é o fim, é uma transição para a mais pura forma de ser. Estarei presente em cada raio de sol que te aquece, em cada silêncio que te acalma.
Viver, ao longo dos anos, ensinou-me que o amor não se mede pelo tempo que passamos ao lado de alguém, mas pela intensidade com que nos doamos, pela profundidade com que deixamos as nossas marcas. E eu, confiante no que deixei, repousarei tranquila, embriagada de luz e silêncio, sabendo que, nos meus versos, me encontrarão sempre. Que em cada palavra, estará o eco da minha presença, e que o meu amor, esse sim, jamais será apagado.
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