Obrigada.

 Hoje como meu marido foi levar meu filho para a escola eu estava tranquilamente em casa, a pensar que o maior desafio do meu dia seria decidir entre um filme de comédia ou uma maratona de séries, quando, de repente, o carteiro toca à campainha. “Encomenda para a senhora”, diz ele com um ar enigmático, e eu, com cara de quem não faz ideia do que está a passar, olho para ele e respondo: “Desculpe, deve estar enganado. Não encomendei nada.” Ele confere a morada e, para meu espanto, estava certa. O nome, embora incompleto, era mesmo o meu. Se não fosse tão preocupante, seria até cómico!

Fiquei ali a olhar para a caixa, como se ela fosse um mistério digno de um episódio de uma série policial. O carteiro, com um sorriso cúmplice, insistiu: “Acho que é para si. Aceite, vai ver que a vida é cheia de surpresas.” E, como não tinha nada a perder, aceitei a encomenda. “Ok, se não vier com uma bomba dentro, estou disposta a arriscar”, pensei.

Ao chegar a casa, coloquei a caixa em cima da mesa, como quem coloca uma obra de arte num museu. A curiosidade estava a matar-me, e eu, em vez de abrir a caixa imediatamente, decidi fazer um pequeno espetáculo à la ‘unboxing’. Imprimi uma voz de narrador dramático e, com uma teatralidade digna de uma novela da tarde, comecei a abrir o presente, minha filha ria desalmadamente.

Quando finalmente levantei a tampa, deparei-me com algo absolutamente… peculiar. Era um objeto que nunca tinha visto antes na vida: uma espécie de brinquedo, mas não um brinquedo qualquer. Era um… bem, um “objeto” de última geração. Olhei para aquilo e pensei: “Ah, bem, isto explica o porquê de ter recebido um presente inesperado!” Nunca pensei que o meu primeiro presente inesperado em anos fosse algo tão brejeiro. Mas, hey, a vida é feita de surpresas!

Para não parecer que estava a fazer juízos precipitados, decidi investigar. O que me trouxe àquele momento inesperado foi a questão: quem é que me conhece o suficiente para me oferecer um presente assim? Foi então que dei uma rápida olhadela na caixa e encontrei, entre os papéis de embrulho, um cartão. A mensagem dizia: “Para aqueles momentos de solidão. Que te faça companhia nas longas noites!”  "Utiliza e pensa em mim" Ri-me tanto que até me senti mal. Eu nem sei quem enviou tal objeto! Pensar em quem?!

Mas isso não era tudo. Dentro da mesma caixa, entre as folhas de papel, havia um relógio. E que relógio! Um modelo elegante, que parecia ter sido desenhado por alguém que realmente percebe do assunto. Olhei para o relógio e, a verdade é que já estava a pensar na sua utilidade, mesmo que o "brinquedo "tivesse roubado toda a cena. “Ora, com isto já não vou ter desculpa para me atrasar”, pensei. Posso colocar um alarme para lembrar a hora de "brincar" de preferência uma hora que esteja me marido em casa. 

Enfim, agora estava em casa com um presente que, embora um pouco baixo e brejeiro, trouxe um sorriso ao meu rosto, foi uma piada para meu marido que enquanto eu escrevo ele não para de rir. Agradeci à vida pela ironia e pela capacidade de me surpreender a qualquer momento. E, claro, mantive o relógio à vista — sempre que olhar para ele, vou lembrar-me da história bizarra de como recebi um presente que, de alguma forma, trouxe também um pouco de humor à minha vida. 


E assim, entre o vibrador e o relógio, decidi que, na próxima vez que a vida me der um presente inesperado, vou abrir com muito mais entusiasmo. Porque nunca se sabe o que pode vir dentro da caixa — pode ser um novo passatempo, uma nova maneira de contar o tempo, ou, quem sabe, a melhor história para partilhar com amigos numa noite de copos. Afinal, a vida é feita de momentos inesperados, e é assim que nos divertimos!

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