Mediocridade.
Nunca pensei que a espécie humana, com toda a sua complexidade, pudesse ser tão simplória ao ponto de confundir gestos de amizade com insinuações de algo mais. Ou será que isso não é simplicidade, mas perversão? Que mentalidade distorcida, que mente corroída pelo egoísmo e pela falta de entendimento, seria capaz de transformar o carinho puro entre amigos em algo obscuro, doentio, insinuando desejos que simplesmente não existem? Só uma pessoa com uma alma tão vazia, com a própria incapacidade de sentir amor genuíno, pode projetar fantasias torpes onde só há empatia, só há afeto desinteressado.
De onde vem essa necessidade constante de interpretar mal? Esse desejo quase patológico de ver segundas intenções em todos os atos, como se a realidade em si já não fosse suficientemente desgastante? Só quem vive preso à própria mediocridade, incapaz de distinguir entre um abraço amigo e uma qualquer insinuação, pode ter a ousadia de questionar o amor verdadeiro, o cuidado que partilho com as minhas amigas. Aquelas que me abraçam sem sombras, sem segredos, sem desejos ocultos.
Eu amo a minha família. Amo o meu marido, a quem sou devotada em todos os sentidos, com a plenitude e profundidade que só uma vida partilhada pode trazer. Amo os meus filhos, com uma intensidade que não se mede, que vai além das palavras, além dos gestos. E também amo as minhas amigas. Sim, amo-as, sem o mínimo vislumbre de segundas intenções, sem a distorção repulsiva que certas mentes fragmentadas insistem em enxergar.
Como chegámos a este ponto? Em que momento a sociedade se tornou tão cínica, tão desesperada por narrativas sórdidas, que se tornou incapaz de compreender o mais básico: que o amor pode ser puro, que o afeto pode existir sem exigências. Que um abraço é um abraço, nada mais. Mas não, vivemos numa era em que tudo precisa ser descontextualizado, desconstruído, e refeito sob a lente suja da malícia e da desconfiança.
É triste, é patético, mas sobretudo, é revelador. Revela a pobreza emocional de quem projeta as suas fraquezas nos outros, a sua incapacidade de entender o que é amar sem possuir, o que é dar sem esperar retorno. Que sorte a minha não pertencer a esse grupo miserável, que vive na escuridão da sua própria mente, inventando fantasmas onde há apenas luz.
Comentários
Enviar um comentário