"Estêvão III: o Nonagésimo Quarto Papa da Igreja Católica"
Após a morte de São Paulo I, a Igreja de Roma atravessou um dos períodos mais turbulentos da sua história. Disputas políticas, intervenções da nobreza romana e eleições irregulares provocaram grande instabilidade na Sé Apostólica. Foi neste contexto que surgiu Estêvão III, reconhecido como o nonagésimo quarto Papa da Igreja Católica e sucessor de São Paulo I na Sé de Roma.
O seu pontificado decorreu entre os anos 768 e 772 da era cristã, sendo marcado pela restauração da ordem na Igreja e pela continuação da aliança entre o papado e os francos.
A crise após a morte de Paulo I
Quando Paulo I faleceu, a sucessão papal tornou-se caótica.
Um nobre romano chamado Toto de Nepi impôs à força a eleição do seu irmão Constantino, um leigo que foi proclamado Papa sem respeitar os procedimentos canónicos.
Este episódio é conhecido como o pontificado do antipapa:
Constantino II
Pouco depois, outra facção promoveu igualmente a eleição de outro antipapa.
A situação mergulhou Roma numa profunda crise.
A eleição de Estêvão III
Com o apoio de importantes sectores do clero e de aliados francos, a ordem foi restaurada.
Em 768, Estêvão III foi legitimamente eleito Papa.
A sua principal missão inicial consistiu em restaurar a disciplina e a legalidade dentro da Igreja.
O Concílio de Latrão de 769
O acontecimento mais importante do seu pontificado foi o:
Concílio de Latrão de 769
Neste concílio foram anuladas as decisões dos antipapas e reafirmadas as normas para a eleição dos papas.
O concílio determinou que apenas membros legítimos do clero poderiam ser escolhidos para o pontificado, procurando evitar futuras manipulações políticas.
Esta medida fortaleceu a estabilidade institucional da Igreja.
Relações com os francos
Estêvão III manteve a estreita colaboração com os francos iniciada pelos seus predecessores.
Continuou a cultivar relações com os filhos de:
Pepino, o Breve
especialmente com:
Carlos Magno
A protecção franca continuava a ser fundamental para a segurança de Roma e dos Estados Pontifícios.
Os lombardos
A ameaça lombarda permanecia presente na Itália.
Estêvão III procurou equilibrar diplomacia e firmeza para proteger os territórios papais.
Embora os conflitos continuassem, conseguiu evitar crises graves durante o seu governo.
Defesa das imagens sagradas
A controvérsia iconoclasta continuava activa no Oriente.
Estêvão III manteve a posição tradicional da Igreja romana em defesa da veneração das imagens de Cristo, da Virgem Maria e dos santos.
A sua posição contribuiu para preservar a tradição religiosa do Ocidente.
Governo pastoral
Além das questões políticas, dedicou-se à administração da Igreja, à disciplina do clero e ao apoio das instituições religiosas.
Também incentivou a vida monástica e promoveu obras de assistência aos pobres.
Morte
Estêvão III faleceu em 772, após cerca de quatro anos de pontificado.
A sua morte ocorreu num momento em que a aliança entre Roma e os francos se tornava cada vez mais sólida.
Legado
O principal legado de Estêvão III foi a restauração da ordem após uma das mais graves crises eleitorais da história papal.
As reformas aprovadas no Concílio de Latrão ajudaram a proteger a legitimidade das futuras eleições papais.
Também fortaleceu os laços com os francos, preparando o caminho para os grandes acontecimentos que ocorreriam sob os seus sucessores.
Conclusão
Assim, o nonagésimo quarto Papa da Igreja Católica é recordado como um restaurador da disciplina e da estabilidade institucional. Estêvão III governou num período de grande turbulência, conseguindo reafirmar a legalidade das eleições papais, fortalecer a autoridade da Igreja e consolidar a aliança que viria a moldar a Europa medieval. O seu pontificado foi essencial para garantir a continuidade e a credibilidade da Sé Apostólica após anos de instabilidade.
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