"Hoje escrevo sobre a minha vida"

Hoje escrevo sobre a minha vida, não para justificar nada a ninguém, mas para me escutar a mim mesma.

A semana passou — como passam todas — entre respirações, encontros e pequenos silêncios.
Ao contrário do que alguns imaginam, continuo a viver com a mesma dualidade que sempre me acompanhou:
a luz e a sombra, a entrega e o recolhimento, a força e a vulnerabilidade.

Sou autêntica, mesmo quando isso incomoda.
Não sigo rotinas rígidas, moldo os meus horários à realidade que tenho e à vida que escolho viver.
Primeiro a família, depois Deus, depois o trabalho.
Será esta a ordem correta? Não sei.
Mas é a ordem que me preenche, que faz sentido para mim,
que me mantém inteira no meio do turbilhão dos dias.

Hoje fiz voluntariado, e isso, para mim, é sempre um renascimento discreto.
É um daqueles gestos que não se anunciam, mas que transformam.
Saio sempre de coração mais leve — como se alguém me lembrasse, sem palavras,
que servir também é uma forma de amar.

Estive com a minha família, e estar com eles é estar comigo.
São parte da minha história, parte do meu corpo, parte da minha alma.
Neles encontro equilíbrio, pertença, raízes.

E quando coloco esta semana na balança da verdade,
percebo que pesaram mais os momentos de felicidade
do que os outros que me puxaram para baixo.
Houve sorrisos silenciosos, pequenas vitórias, abraços demorados,
tudo aquilo que torna a vida suportável e, às vezes, até luminosa.

Eu estou bem.
Não perfeita, não imune ao que me rodeia, não blindada contra o mundo — apenas bem.
E, no fundo, isso basta.
Porque a felicidade, tal como a entendo, não é um estado absoluto,
é uma soma de instantes, um equilíbrio delicado,
um saber reconhecer o que de bom permanece,
mesmo quando a vida insiste em testar-nos.

Hoje, escrevendo, reconheço isso com clareza:
eu estou feliz.

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