"Esclarecer "

Caros leitores,

Permitam-me um instante de confidência e esclarecimento. Perguntar-me-ão por que razão escrevo, por que motivo me dedico a este percurso que, para alguns, pode parecer radical, devoto em excesso ou até fruto de alguma manipulação. Não, meus caros: não fui “endrominada”. Continuo a ser eu, exactamente como Deus me sonhou — com a mesma essência, mas agora com uma consciência mais iluminada, trabalhada, inquieta e desejosa de verdade.

Formo-me. Estudo. Vou à catequese. Leio, releio, analiso, confronto ideias. Procuro a fé com a inteligência e a inteligência com fé — como quem entende que acreditar não é renunciar ao pensamento, mas antes elevá-lo. Este texto, que serve de ponte antes de avançarmos para o capítulo terceiro, é apenas uma pequena amostra desse caminho de estudo e discernimento.

A Bíblia — permitam-me sublinhar — não é um tratado científico; é um património espiritual e existencial. A ciência explica como o mundo funciona; a Palavra de Deus revela-nos porque vale a pena viver nele. Por isso acreditamos na ciência sem abdicar do mistério. E, para que o discernimento nos abrace, é preciso ler e rezar: unir a mente ao coração, a busca à contemplação.

Nós, católicos, recebemos uma herança vasta: 46 livros no Antigo Testamento, não apenas os escritos em hebraico ou aramaico, mas também os que chegaram até nós em grego, porque Deus não fala apenas uma língua — fala a linguagem da humanidade inteira. Neste tesouro reconhecemos:

  • 5 livros do Pentateuco, onde se desenha o início da história da salvação;

  • 16 livros históricos, que narram a aventura de um povo com Deus;

  • 7 livros poéticos e sapienciais, onde a alma humana se derrama em oração, sabedoria e dor;

  • 18 livros proféticos, nos quais a voz divina rompe o tempo para chamar à justiça e à esperança.

Sabemos que tudo isto foi escrito por mãos humanas, sim, mas movidas por um sopro divino. Acreditamos na inerrância bíblica, ou seja: que tudo quanto a Sagrada Escritura afirma para a nossa salvação é verdadeiro — não porque explique a física do cosmos, mas porque ilumina o coração humano.

E temos ainda 27 livros no Novo Testamento, onde ressoa o acontecimento maior da história: Deus que se faz Homem e caminha connosco.

A Bíblia não nasceu como um único volume: foi revelação vivida, depois proclamada, depois escrita, e só muito mais tarde organizada. Primeiro foi memória, oração, tradição; só depois se tornou páginas e capítulos. Antes de ser texto, foi encontro.

É este encontro — pessoal, transformador, ardente — que procuro. Não porque deixei de ser eu, mas porque descobri que a melhor versão de mim encontra sentido quando caminha ao lado de Deus.



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