"Esclarecimento... Paz"
Se realmente lês — mas lês mesmo — então lê com calma, sem defesas, sem armaduras, sem essa urgência de provar algo a alguém. Lê-me com o coração e não com a ferida. Lê-me sem medo de te veres ao espelho.
Eu não sei se vivemos a mesma experiência, ou se apenas eu a senti da forma como a senti. Mas aprendi algo que talvez ainda não tenha chegado a ti:
quando sabemos quem somos, as palavras já não ferem.
Elas passam, como vento.
Não perfuram, não fixam, não moldam.
E é justamente por isso que te peço — com sinceridade, não com desprezo — que não repitas em ti a mesma dor duas vezes.
Abstrai-te. Respira a partir de ti.
O peso que carregas não é teu; é feito de suposições, de ecos, de interpretações, não de verdades.
Se acreditas que eu sou o problema, então deixa o problema comigo.
Não o arrastes contigo.
Não o uses como escudo, nem como argumento.
Eu aguento o que me pertence — mas não assumo o que nunca fiz.
Não fales de mim.
Assim como eu já não falo de ti.
Não porque te despreze,
mas porque respeito a tua vida o suficiente para não a invadir.
Os anos passam, e passam depressa,
e tudo aquilo a que deixamos de dar voz acaba por perder força, cor, memória.
O coração esquece quando não é provocado.
E, acredita: isso é uma bênção, não uma perda.
Eu tenho memória de elefante — lembro o que quero.
Mas também sei apagar quando preciso.
Apago sem rancor, sem nódoa, sem rumor.
Apago para seguir viva, leve, inteira.
Faz o mesmo.
Apaga-me da tua história.
Não porque te feri, mas porque não quero que continues a ferir-te com o meu nome.
E agora digo-te, com toda a honestidade e uma ternura que talvez não esperes:
Eu quero que fiques bem.
Mesmo.
Quero-te inteira, forte, rodeada de pessoas que te cuidem, que te valorizem, que te façam sentir aquilo que tu mereces sentir.
Não quero que fiques fraturada, nem ferida, nem alimentando fantasmas que não te acrescentam nada.
Quero-te com alegria no peito, com brilho nos olhos, com paz suficiente para caminharmos cada uma para o seu lado sem peso, sem guerra, sem acusações.
Eu respeito-te demais para te querer o mal.
A única coisa que peço é simples, justa e sensata:
que deixes de falar de mim,
que deixes de me acusar do que não fiz,
que sigas a tua vida livre da minha sombra.
Porque a verdade é esta:
não te quero presa a mim;
quero-te livre de mim.
Quero que cresças, floresças, encontres o teu lugar no mundo — rodeada de pessoas que te saibam abraçar de verdade.
Vai.
Segue.
Escolhe a tua felicidade.
E deixa-me ficar apenas onde já estou:
no passado.
Em paz.
A desejar-te o bem.
Olá, poderoso e eficaz. Boa!!!
ResponderEliminarOlá. Obrigada.
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