"Pensa nisto..."
Diz-me: o que acontece a uma fruta ainda presa à árvore quando é bicada por um pássaro?
Ela não apodrece.
Amadurece antes do tempo.
E é exactamente isso que acontece com muitas pessoas quando são expostas cedo demais à dor. Tal como uma criança confrontada com experiências traumáticas ou profundamente desagradáveis. O corpo cresce, a vida avança, os resultados aparecem — mas por dentro permanece uma criança ferida, obrigada a amadurecer antes de estar pronta.
Talvez por isso tenhas aprendido a parecer forte.
Sério. Controlado. Imperturbável.
Não porque não sintas, mas porque sentes demais.
E imagino que estejas cansado ou cansada de sustentar essa versão. Cansado de manter a compostura quando, por dentro, tudo treme. Há momentos em que a dor fala mais alto do que a fé. Em que o coração se fragmenta, a mente entra em guerra consigo mesma e as lágrimas caem sem pedir autorização.
E, ainda assim, continuas.
Não porque compreendas.
Mas porque acreditas.
Acreditas que há um propósito onde hoje só consegues ver dor. Que há sentido mesmo quando a lógica falha. Que nem todo o sofrimento é punição — às vezes é preparação.
A dor que hoje te fere é, muitas vezes, a mesma que amanhã te molda. Não para te endurecer, mas para te aprofundar. Não para te quebrar, mas para te dar estrutura. Deus nunca desperdiça o sofrimento de ninguém. Ele transforma-o. Trabalha-o. Redime-o no tempo certo.
Tu não precisas de ver o fim do caminho para continuares a andar. A confiança verdadeira nasce exactamente aí: quando já não há explicações suficientes, mas a fé permanece. Quando a esperança deixa de ser ingénua e passa a ser escolha.
Lembra-te disto:
tu não és a ferida que recebeste.
És o crescimento que aconteceu apesar dela.
E, acima de tudo, és maior do que qualquer pássaro que te tenha ferido antes do tempo.
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