"Esclarecer..."

 Sigo este caminho porque sei e porque quero saber. Porque a fé não nasce apenas de respostas, mas sobretudo de perguntas que nos desinstalam. Creio em Deus não por conveniência social, nem por reflexo de tradição, mas porque O busco com seriedade, desejo e liberdade. A fé que não se questiona, cristaliza; a fé que pensa, cresce.

E aqui importa dizer com clareza: eu sigo Deus — não as imperfeições humanas dentro da Igreja. Não me movo pela simpatia da amiga, pela presença da inimiga ou pela popularidade do padre. A Igreja é santa na sua origem — porque provém de Cristo — mas é pecadora nos seus membros, porque somos nós que a compomos. Se ela fosse um espaço de perfeitos, eu não teria lugar nela.

Sim, chamamos “padre” àquele que tem o ministério ordenado; respeitamo-lo, ouvimo-lo, caminhamos com ele. Mas Pastor, em sentido pleno e absoluto, há apenas Um: Jesus Cristo, o Bom Pastor, Aquele que conhece as Suas ovelhas e por elas dá a vida. Todos os outros são servidores, sinais frágeis da única luz, instrumentos que apontam para alguém maior do que eles. A autoridade na Igreja não é domínio: é serviço.

Sigo Deus porque sei que a fé não se esgota na instituição, ainda que seja nela que os sacramentos nos alimentam. Vou à Igreja não por quem lá está, mas por Quem a habita. O templo maior não é de pedra, mas do Espírito — e, ainda assim, é nas pedras vivas da comunidade que Ele nos convoca à unidade.

Se a minha presença fosse condicionada por simpatias humanas, a minha fé seria tão frágil quanto os humores do mundo. Prefiro a rocha onde Cristo edifica, não a areia onde as opiniões se desfazem. Não vou à Igreja para ver ou ser vista, mas para reencontrar a minha origem e o meu destino: Aquele que me amou primeiro.

Por isso permaneço. Por isso avanço. Não por causa dos homens — mas apesar deles. Porque Deus é sempre maior. Porque Ele chama directamente ao coração, e o coração reconhece a Sua voz.

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