"Amar"

 Gostava que a vida fosse aprendida pelo amor e não pela dor.

Que não fosse preciso atravessar a ferida para chegar à consciência. Que não fosse necessário magoar pessoas reais para, mais tarde, perceber que nunca houve motivo para isso.

A homossexualidade não é uma falha.
Não é uma doença.
Não é um erro de percurso.
E, sobretudo, não é uma escolha.

É parte da natureza humana. Tão natural como alguém nascer esquerdino, daltónico, com um certo timbre de voz ou uma determinada sensibilidade. Não se decide quem se é na raiz. Não se escolhe a forma como o coração reconhece o amor.

Por isso, não há nada para curar.
Não há nada para corrigir.
Não há nada para perdoar.

Aquilo que não nasce de uma decisão consciente não pode ser condenado como pecado. Pecado, se quisermos usar essa palavra, só existe onde há intenção de ferir, de dominar, de negar humanidade ao outro. Amar nunca foi isso.

O que verdadeiramente adoece não é a orientação de ninguém.
É o olhar que julga.
É a palavra que exclui.
É a tentativa constante de reduzir uma pessoa inteira a uma etiqueta.

Saibamos isto com humildade: a diversidade não ameaça a vida — enriquece-a. O amor não divide — revela. E nenhuma fé que precise de negar a dignidade de alguém pode chamar-se plena.

Talvez o mundo fosse um lugar mais habitável se aprendêssemos mais cedo que não é o amor que precisa de explicações, mas o ódio. Que não é a diferença que exige justificação, mas a violência com que tantas vezes a tratamos.

No fim, tudo é mais simples do que parece.
Não fomos feitos para vigiar a essência dos outros.
Fomos feitos para cuidar.

Porque a única lei que atravessa todas as vidas, todas as crenças e todas as histórias é esta:
amar é sempre o caminho mais humano.

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