"Filho Radiante"
Meu filho, raio de luz
Que ilumina cada dia,
Tua felicidade é prova
De que a vida se irradia.
Desenvolves-te tão bem,
Crescendo em graça e saber,
És a prova viva e pura
Do amor que venho a oferecer.
Podem chamar-me narcisista,
Problemática e má,
Mas teus sorrisos e conquistas
São a verdade que está lá.
Eu rezo por todos,
Até por quem me acusa,
Pois a paz que sinto em mim
É uma bênção que não recusa.
Estou feliz e bem resolvida,
Com a alma em harmonia,
E mesmo se a morte vier,
Serei grata por cada dia.
Não me importa o que digam,
As críticas são pó ao vento,
Meu coração está em paz,
E vivo cada momento.
Pois sei que em ti, meu filho,
Está a semente do amor,
E enquanto vives radiante,
Minhas preces têm valor.
Que a vida siga seu curso,
Com fé, alegria e luz,
E que saibam que minha alma
Em serenidade se conduz.
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Nota da Autora
Há textos que envelhecem. Outros amadurecem.
Este pertence aos segundos.
Quando o escrevi, o meu filho era ainda um menino. Hoje é um jovem muito mais consciente, mais maduro, mais atento ao mundo e às pessoas. A inteligência, que já era evidente, floresceu. Mas não é isso que mais me emociona.
Continuo a vê-lo exatamente da mesma forma: bonito por dentro e por fora.
A beleza física é um acaso feliz da natureza. A beleza do carácter é uma construção diária. E essa continua a ser a sua maior qualidade.
Vejo um ser humano capaz de pensar sem perder a ternura. De aprender sem arrogância. De defender as suas ideias sem deixar de respeitar as dos outros. Vejo honestidade onde tantos escolhem conveniência. Vejo bondade onde o mundo tantas vezes recompensa a indiferença.
As críticas que um dia me preocuparam perderam importância. Não porque tenham desaparecido, mas porque a realidade falou mais alto do que qualquer narrativa.
Os filhos acabam sempre por revelar a verdade silenciosa das casas onde cresceram.
Nenhum pai ou mãe é perfeito. Eu também não fui, nem sou. Cometi erros, continuo a cometê-los. Educar nunca foi construir uma obra acabada; foi aprender todos os dias ao lado dele. Mas, quando observo o homem que lentamente começa a nascer, encontro uma paz difícil de explicar.
Percebo que o mais importante nunca esteve nas respostas certas, nas notas, nos prémios ou nos elogios.
Sempre esteve na pessoa.
Este poema foi escrito num tempo diferente, mas continua a representar aquilo que sinto. Talvez hoje de forma ainda mais profunda. Porque o amor de uma mãe não diminui quando um filho cresce.
Apenas aprende novas formas de o admirar.
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