Magia na mente infantil
Hoje foi um dia extraordinariamente feliz e especial. Decidimos ir até à praia fluvial, aproveitando o sol e a natureza. Não foi o tempo desejado, mas ele ficou muito feliz. Meu filho, com a alegria estampada no rosto, voltou para a escola e, cheio de entusiasmo, a coordenadora perguntou sobre as comemorações do Dia da Criança. Ele respondeu sobre seu dia, que comeu gelado, que foi aos insufláveis, andar de canoa e o andar no rapel. Mas, quando a coordenadora perguntou se ele tinha visto alguém conhecido, ele simplesmente respondeu que não. Intrigada, perguntei-lhe mais tarde porque tinha dito isso. Ele olhou para mim com a sinceridade própria de uma criança e disse: “A senhora que viu, ele não a conhece, nunca a conheceu.” Fiquei a refletir sobre a profundidade de suas palavras. Ao chegarmos em casa, a curiosidade não me deixou, e insisti: “Por que dizes que não conheces?”
Com um olhar sério e uma voz calma, ele respondeu: “Ela é a minha ex-professora. Ela me magoou.”
Aquelas palavras ecoaram em mim, trazendo uma compreensão dolorosa. Na simplicidade de sua resposta, meu filho revelou uma verdade profunda: a dor que ele carregava em seu coração por uma experiência passada. Ele preferiu manter aquela figura no anonimato, protegendo-se de lembranças dolorosas. Aquele momento me fez perceber a beleza e a complexidade da mente infantil, capaz de transformar um dia comum em uma jornada de superação e aprendizagem, onde até as memórias difíceis são enfrentadas com a sabedoria e a sensibilidade de uma criança. Orgulhosa por sua postura, por cumprir um pacto que já podia ter esquecido, mas não esqueceu.