"Sou a essência, sou a matéria."
Sou a essência, sou a matéria. Sou a frágil que chora, a durona quando é necessário. Não sou mais nem menos do que aquilo que todas somos. Humana. Vivendo e aprendendo a cada dia. Durante muito tempo achei que me tinha de escolher. Como se existir exigisse coerência absoluta. Como se para ser forte tivesse de abandonar a fragilidade. Como se para ser sensível tivesse de renunciar à firmeza. Como se crescer significasse tornar-me uma versão mais estável, mais definida, mais previsível de mim mesma. Demorei tempo a perceber que talvez uma parte importante da maturidade seja exactamente deixar de exigir de nós essa pureza impossível. Porque eu sou muitas coisas ao mesmo tempo. Sou a essência e sou a matéria. Sou aquilo que pensa e aquilo que sente. Aquilo que sonha e aquilo que lava a loiça, responde a mensagens, se atrasa, se cansa e adormece no sofá. Sou aquilo que imagina o infinito e aquilo que precisa de dormir oito horas para funcionar minimamente bem. Há qualquer coi...