"Escola... Halloween"
Eu ultimamente não partilho textos em tempo real do que estou a fazer. Onde vou, com quem. Nem sequer aquilo que fazemos em família. Mas não estou esquecida.
Há um tempo que escolhi guardar mais do que mostrar. Não por mistério, nem por ausência. Apenas porque descobri que há coisas que crescem melhor longe da urgência de serem vistas. Nem tudo o que é bonito precisa de acontecer diante de um ecrã para existir com mais verdade.
Continuamos aqui. A viver. A aprender. A construir memórias pequenas que, no fim, acabam por ser as maiores.
A escola que o meu filho frequenta é como tantas outras escolas: tem aquilo que se espera que tenha, aquilo a que qualquer criança tem direito. Mas há uma coisa que me toca particularmente e que, para mim, vale muito mais do que actividades extraordinárias ou calendários cheios.
Há uma tentativa genuína de aproximar as famílias sem lhes entrar pela porta dentro.
Existe, por exemplo, um dia em que os pais podem entrar na sala e ler para os alunos. Há trabalhos que são propostos para serem feitos em conjunto — crianças com ajuda dos pais. Não como obrigação emocional, não como exposição da vida privada, mas como convite discreto a criar qualquer coisa lado a lado.
E gosto muito desta ideia.
Porque, às vezes, os momentos mais bonitos acontecem exactamente assim: sem grandes discursos, sem transformar tudo numa experiência pedagógica explicada até ao limite. Sentamo-nos à mesa, abrimos materiais, experimentamos, rimos um pouco, resolvemos o que corre menos bem… e fazemos.
Sem necessidade de uma conversa profunda sobre “tempo de qualidade”. O tempo simplesmente acontece.
Este trabalho de Halloween foi um desses momentos.
E vou mostrar o trabalho do meu filho — com a minha ajuda.
Mas, sinceramente, eu fiz muito pouco.
A fotografia mostra um daqueles processos simples que acabam por ficar na memória mais do que o resultado final. Começámos por reunir os materiais e deixei que fosse ele a decidir quase tudo: as cores, os elementos, o lugar de cada detalhe. Eu limitei-me a ajudar naquilo que exigia mais precisão — segurar, cortar alguma parte mais difícil, dar uma sugestão quando havia hesitação.O resto foi dele.
Foi interessante perceber como as crianças constroem sem medo de errar. Onde nós vemos proporções, acabamentos e simetrias, eles vêem possibilidades. Cada escolha tinha uma lógica própria, cada detalhe tinha uma história que eu não teria imaginado.
E talvez seja essa a parte mais bonita destes trabalhos.
Não é o objecto final.
É perceber que, sem dar conta, estamos ali dentro daquele momento: entre cola, mãos ocupadas, ideias improvisadas e frases soltas. A ajudar sem comandar. A acompanhar sem ocupar o espaço.
No fim, o trabalho ficou pronto.
Mas o que ficou mesmo foi aquela sensação tranquila de termos feito qualquer coisa juntos — sem cerimónia, sem fotografia pensada para publicar, sem necessidade de explicar ao mundo.
Só porque aconteceu.
E isso, hoje em dia, parece-me cada vez mais raro.
Elabora no Halloween de 2025.
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