"Regresso: Uma Semana em Ritmo de Alma"
Esta semana não se limitou a acontecer — impôs-se. Caminhou sobre mim com o peso exato da exigência e com a delicadeza subtil daquilo que realmente importa. Foi uma semana de trabalho intenso, de aprendizagem constante, de desafios que não pedem licença antes de se instalarem no pensamento e nos músculos. Uma semana em que o tempo não passou: correu.
Corro para trabalhar, como se o mundo me chamasse pelo nome e me pedisse presença, atenção, entrega. Corro entre tarefas, prazos, ideias e responsabilidades que se empilham como livros numa estante que nunca termina. Cada dia foi uma página escrita com esforço, com foco, com a disciplina silenciosa de quem sabe que crescer também dói.
Mas corro ainda mais para casa.
Porque há uma urgência diferente no regresso. Uma pressa que não nasce da obrigação, mas da saudade antecipada. O lar não é apenas um lugar: é uma pausa no ruído do mundo, um território onde o tempo abranda e o olhar repousa. Ali, a vida não se mede em produtividade, mas em presença.
Esta semana foi feita de mãos dadas, de risos espontâneos, de conversas que não precisaram de ser profundas para serem verdadeiras. Foi feita de pequenos instantes que, sem alarde, se tornaram grandes memórias. Momentos que não aparecem em currículos, mas que sustentam a arquitetura invisível da alma.
O corpo sente. Sente o peso dos dias longos, das horas esticadas, do cansaço que se acumula nos ombros e nos joelhos. Há uma fadiga honesta em quem dá tudo de si. Uma dor que não é derrota, mas testemunho: estive lá, fiz, tentei, aprendi.
E, no entanto, a alma está tranquila.
Há uma felicidade serena em saber que o esforço não me afastou do essencial. Pelo contrário: empurrou-me para ele. Cada passo dado no mundo foi também um passo de volta para casa. Cada desafio enfrentado foi um motivo a mais para valorizar o abrigo do afeto, da família, da pertença.
Aprendi esta semana que o equilíbrio não é uma linha reta, mas um movimento constante. Uma dança entre o dever e o desejo, entre a ambição e a gratidão, entre aquilo que construo fora e aquilo que preservo dentro.
Trabalhei muito. Aprendi mais ainda. Vivi, verdadeiramente.
E no final de cada dia, quando o silêncio substituiu o ruído e a noite se deitou sobre a casa, percebi que a maior conquista não foi aquilo que produzi, mas aquilo que senti.
Porque posso chegar cansado, mas chego inteiro.
E isso, por si só, é uma forma profunda de vitória.
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