"Balanços"
Hoje detenho-me neste instante — como quem segura o sopro leve de um ano inteiro — e olho para o meu espaço de partilha, este blogue que é ao mesmo tempo confidente e espelho, caixa de memórias e altar silencioso. Aqui, cada
palavra foi um gesto íntimo, cada frase um reflexo daquilo que, muitas vezes, se recusava a habitar a superfície da minha consciência. Poemas, histórias, fragmentos de vivência, pensamentos dispersos, dores e alegrias — tudo se entrelaçou, tecendo uma tapeçaria que sou eu, por inteiro e despida, mas ainda assim discreta, ainda assim cuidadosa.Escrevo para compreender-me, e, nesse acto, descubro o ritmo secreto da minha própria existência. As palavras tornam-se terapia, tornam-se ponte entre a confusão interior e a clareza que procuro. Organizo sentimentos como quem arruma estrelas num céu demasiado vasto: cada emoção, cada silêncio, cada memória ocupa o seu lugar, mas nenhuma perde a capacidade de brilhar quando a revisito. Aqui, entre linhas e espaços, revelo-me: os gestos que faço, as reações que me surpreendem, os pensamentos que me atravessam sem aviso — tudo é narrado, não apenas para ser lido, mas para ser sentido, respirado, integrado.
Ao revisitar este ano, percebo que cada palavra é um vestígio de transformação. A dor tornou-se introspeção; o silêncio, poesia; a memória, luz que ilumina o que antes se escondia. Este blogue não é um simples diário: é a cartografia da minha alma, um mapa de mim mesma, feito de suspiros, de hesitações, de certezas temporárias, de perguntas que continuam a ecoar.
E assim concluo este ciclo com uma gratidão silenciosa: por mim, por este acto de escrever, por este espaço que, mesmo virtual, me permite existir plenamente. Aqui, entre a reflexão e a lembrança, descubro não apenas quem fui, mas quem continuo a ser — uma viajante incansável nas paisagens interiores, escrevinhando, sentindo, transformando cada instante em presença, em consciência, em poesia.


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