"Mistério"
Na quarta-feira terminámos mais um módulo. A Escola da Fé continua a confirmar aquilo que o coração já intuía: faz todo o sentido. Não porque ofereça respostas fáceis, mas porque nos convida a permanecer nas perguntas certas. Meditámos sobre temas verdadeiramente necessários, aqueles que não servem apenas para acumular conhecimento, mas para nos transformar o olhar e a forma de estar no mundo.
Para além do aprofundamento histórico da Bíblia — essencial para compreender o contexto, a linguagem e o tempo —, este módulo conduziu-nos a algo mais delicado e exigente: o Mistério. Não como um enigma a decifrar apressadamente, mas como uma realidade a contemplar, respeitar e habitar. O Mistério não se resolve; acolhe-se. E isso, paradoxalmente, ensina mais do que muitas explicações.
Poderia escrever aqui uma descrição detalhada de tudo o que aprendi, organizar conceitos, citar passagens, alinhar ideias. Mas não o farei. Não por falta de conteúdo — ele é vasto e profundo —, mas por convicção pedagógica e espiritual: não se dá o peixe a quem precisa de aprender a pescar. O conhecimento que verdadeiramente permanece é aquele que nasce da procura pessoal, do tempo investido, do silêncio fecundo e da escuta atenta.
Talvez mais tarde partilhe, com mais clareza e distância, tudo o que estou a aprender. Agora não. Agora, ainda estou a digerir, a deixar que o Mistério faça o seu trabalho dentro de mim. Porque houve tanto Mistério que a única resposta honesta, neste momento, é oferecer… Mistério.
Vivemos numa cultura que exige explicações imediatas, respostas rápidas, conclusões fechadas. A fé, porém, educa para outra lógica: a da espera, da humildade intelectual, da aceitação de que nem tudo nos é dado compreender de uma vez. O Mistério não diminui a razão; purifica-a. Não humilha o pensamento; amplia-o. Ensina-nos que saber tudo não é sinónimo de sabedoria.
Ficar no Mistério não é desistir de pensar, é aprender a pensar melhor. É reconhecer que há verdades que só se revelam com o tempo, com a fidelidade, com a permanência. E talvez seja essa uma das maiores lições deste módulo: a fé amadurece quando aceitamos não controlar tudo, quando nos dispomos a caminhar mesmo sem mapa completo.
Por agora, fico aqui. Em silêncio habitado. Em aprendizagem contínua. Em Mistério.
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