"Não há mistério nenhum na forma como escrevo"
Há quem procure uma explicação escondida na forma como escrevo. Porque digo “tu” . Porque digo “nós” . Porque faço perguntas. Porque começo muitas vezes com um “sabias?”, um “sabes?” ou um “talvez”. Porque falo directamente com quem está a ler, como se estivesse sentada diante dessa pessoa, numa mesa, numa conversa demorada, em vez de escrever para uma multidão anónima. E talvez seja melhor esclarecer isto de uma vez: não há mistério nenhum. Não existe código. Não existe mensagem secreta. Não estou necessariamente a escrever para uma determinada pessoa só porque utilizo a segunda pessoa. Não estou a transformar cada texto numa indirecta. E muito menos tenho a pretensão de conhecer a vida de quem lê. Estou simplesmente a escrever como um ser humano fala com outro ser humano. E faço-o deliberadamente. Quando digo “tu” , estou a aproximar. Quando digo “nós” , estou a incluir-me. Quando digo “eu” , assumo a experiência como minha. São três lugares diferentes dentro da mesma conversa. O “eu...