"A Dor Não Começa Onde Pensas. Começa Muito Antes"
Existe uma ideia profundamente enraizada na nossa forma de compreender a vida: acreditamos que a dor começa no instante em que acontece. No dia em que alguém parte. No momento em que uma relação termina. Na palavra que nos humilha. Na traição. Na perda. No fracasso. Mas será realmente assim? Quanto mais observo as pessoas, quanto mais escuto as suas histórias e quanto mais procuro compreender a complexidade da experiência humana, mais me convenço de que as grandes dores raramente nascem no momento em que se tornam visíveis. Nesse instante, apenas emergem à superfície. A verdadeira origem encontra-se muito antes, silenciosa, discreta, quase imperceptível. A dor começa quando deixamos de escutar a consciência. Começa quando, pela primeira vez, sentimos um incómodo interior e decidimos chamar-lhe exagero. Quando uma inquietação legítima é abafada em nome da conveniência. Quando preferimos proteger uma expectativa em vez de acolher a realidade. Talvez uma das maiores fragilidades do s...