"Esclarecer..."

Como vês, tenho aprendido muito nestes últimos tempos. E não é por continuares com essa retórica depreciativa, tentando moldar-me a uma pessoa que não existe, que eu vou ser diferente do que sou. A luz e a sombra fazem parte de mim. A dualidade também. Não sou só aquilo que se quer ver; sou aquilo que vivo, que sinto, que construo, que carrego comigo mesmo nos dias mais difíceis.

Mas a tua visão ilusória não se tornará verdadeira apenas porque queres acreditar nela. Não tens poder sobre a minha essência, nem sobre as minhas escolhas, nem sobre a forma como enfrento a vida. Não posso ser reduzida a palavras, boatos ou percepções distorcidas. A minha verdade é maior que qualquer opinião, maior que qualquer crítica, maior que qualquer tentativa de me aprisionar numa imagem falsa.

A dor que sinto não a esqueço — e não a escondo. Ela é parte da minha história. Ela me recorda as pessoas que passaram, os momentos que me moldaram, os erros que me ensinaram, os amores que transformaram o meu coração. Ela me lembra tudo o que fui, tudo o que sou e tudo o que ainda me tornarei. Negar a dor seria negar a vida, seria renunciar à profundidade de cada experiência que me forma. Aceitá-la é, no entanto, libertador: transforma feridas em lições, perdas em sabedoria e sofrimento em força.

Como dizia Shakespeare, “os prazeres da vida trazem consigo muitas dores”. E é justamente nisso que a vida se revela completa: na interdependência do prazer e da dor, da alegria e da perda, da luz e da sombra. Cada riso traz consigo a memória de lágrimas; cada amor traz consigo o risco de feridas; cada momento de felicidade carrega o eco de dificuldades superadas. Negar isso seria buscar uma perfeição ilusória, impossível de alcançar. Aceitar é crescer.

E é neste aceitar que encontro coragem. Coragem para continuar no meu caminho, mesmo quando os outros tentam diminuir-me, criticar-me ou julgar-me sem conhecimento. Coragem para reconhecer que a dualidade que carrego não é fraqueza, mas complexidade humana, força e autenticidade. Coragem para aprender com cada experiência, para ouvir a minha voz interior e para permanecer fiel a quem sou, mesmo quando isso desafia expectativas externas.

Continua a tentar compreender-me à tua maneira, a criar fantasmas e ilusões sobre mim. Eu não te pertenço nem te devo explicações. O que faço, sinto e aprendo é meu. Mas mesmo assim, eu permaneço com carinho, paciência e compreensão. Porque a minha fé, a minha maturidade e o meu coração não vivem de retaliação, mas de integridade. Eu escolho construir, não destruir; aprender, não condenar; amar, mesmo quando ferida.

A luz, a sombra, o prazer e a dor são minhas companheiras. E delas eu tiro força, consciência e coragem. É assim que cresço. É assim que evoluo. É assim que caminho em direção ao que ainda vou me tornar. Porque cada passo que dou é minha decisão, e cada desafio que enfrento é uma oportunidade de me aproximar da minha verdade mais profunda.

E que quem lê estas palavras reflita: a vida não se mede pelo que os outros dizem ou pensam, mas pelo que se faz com o que se sente e se vive. Crescer é saber carregar a dor sem se tornar amarga, é reconhecer a sombra sem se perder nela, é permitir que o prazer e a alegria coexistam com a consciência das dificuldades. A verdadeira maturidade surge quando se aprende a ser inteiro, mesmo no meio da dualidade, do conflito, da crítica e da dor.



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Comentários

  1. Olá. Existe pessoas que vivem assim, só para culpar e atormentar os outros. Mesmo com desprezo não aprendem. Infelizmente todos temos algumas para a troca. A forma como descreves, é muito humana com empatia, parabéns. Eu mandava para o c#r#lh🤔

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    1. Olá. Escrevo para que quem ler saiba o melhor para evitar pessoas tóxicas é mudar de passeio e deixar que tenham razão, eu prefiro a paz. Grata por me leres.

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