"Para mim. 11/07/25"

 Sinto, cada vez mais, que o meu jardim íntimo é palco de aprendizagens profundas, cujas sementes foram lançadas em solo árduo desde a infância. A minha trajetória, por vezes tortuosa, ensinou‑me que nem todas as dores precisam de ser exibidas em público; algumas florescem em silêncio, fortalecendo raízes antes de se mostrarem ao mundo. Na adolescência, respondi ao espanto e à injustiça “pagando na mesma moeda”, até que, no encontro com o amor conjugal, experimentei uma nova forma de cuidar e de ser cuidada.

Aprendi a escrever um novo capítulo quando o meu marido me ensinou a amar de forma mais gentil, cuidando-me com ternura e respeito, e quando nasceu a minha filha: aí descobri o amor incondicional, a paciência infinita, a beleza de esperar — sem angústia, mas com confiança. Foi na maternidade que entendi que cada flor precisa do seu tempo: há gestos de amor que não se apressam e bênçãos que desabrocham no silêncio de noites gastas a velar o choro de um recém‑chegado.

Quando perdi o meu pai, aprendi a valorizar a presença e as memórias; quando a minha mãe se aproximou do fim, soube cuidar dela, estar ao lado, amar até ao último suspiro. Deus chamou‑a para junto de Si e, em meio à dor, ofereceu-me um presente inesperado: a força para continuar, gerando o meu filho mais novo enquanto enlutava a partida da minha mãe. A gravidez tardia foi ao mesmo tempo a lágrima e o riso da minha vida, um sofrimento indiscutível aliviado pelo apoio amoroso de familiares e pela escrita, que se tornou a minha terapia diária.

Orei. Vivi dias de angústia e noites de súplica, mas apenas voltei a sofrer verdadeiramente quando, ferida pelas palavras e atitudes de quem eu confiava e tinha grande estima, ouvi histórias cruéis sobre o meu filho e sobre mim. Compreendi que só nos magoamos verdadeiramente pelas lâminas que vêm de perto. Foi nesse abalo que renasci para uma nova etapa de transformação interior: aceitei a humildade de saber‑me vulnerável e a coragem de continuar a semear em terreno fértil de fé.

Acolhi, então, a fé católica — não como uma tradição acrítica, mas como um convite a questionar, a ponderar e a aprender a suportar o sofrimento com esperança. Descobri que a Igreja Católica, alicerçada nas Escrituras e na autoridade viva de Jesus Cristo, oferece‑me o espaço para confrontar as minhas escolhas, assumir as consequências e crescer em maturidade espiritual. Porque, no fundo, «há um só Jesus, perfeito e original», cujos ensinamentos permanecem intactos há mais de dois mil anos, e cuja Graça me sustenta na travessia dos vales escuros.

Encontrei na Igreja Católica quatro pilares que a tornam indiscutivelmente única entre mil e uma igrejas: a fidelidade inquebrantável às Escrituras, que conservam a palavra viva de Cristo; a Tradição, que guarda e transmite a fé sem se perder no tempo; a Sucessão Apostólica, que une cada sacerdote ao colégio dos Apóstolos; e o Magistério, que preserva a doutrina de desvios e modismos passageiros. É esta solidez que me permite, com confiança, cultivar o meu jardim interior sem medo de que as raízes fiquem expostas ao vento das dúvidas ou das ideologias do momento.

Hoje cultivo o meu coração como um jardineiro atento: protejo o que está a nascer em mim, não por medo, mas por amor; escolho o silêncio fecundo em vez do aplauso vazio; espero o tempo certo de cada flor para que ela desponte em beleza. Rezo não para que Deus me livre da cruz, mas para que me conceda ombros fortes para a carregar — com dignidade, com humildade, com gratidão.

Que o meu silêncio seja morada da presença divina, e que a minha vida, mesmo sem reconhecimento mundano, floresça onde só Deus vê. Sempre com Ele no centro do meu ser, encontro a força para continuar, dia após dia, a plantar com humildade, na esperança de colher frutos que não se medem por vaidade, mas pela eternidade.


Texto de autoria de Marisa, publicado em Fio de Imaginação (@tecehistorias).

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