"30/06/25. Ser inteiros no amor: prosa poética sobre liberdade, lealdade e o silêncio que constrói"
Amar não é somar metades quebradas na esperança de formar um inteiro; é o encontro de dois seres já completos que, mesmo assim, escolhem permanecer. Somos inteiros antes do outro, e permanecemos inteiros depois. E é nessa inteireza que reside o milagre mais singelo e mais raro: sermos livres, e ainda assim, sermos de alguém.
O amor verdadeiro não se ergue sobre a vigilância ansiosa, nem floresce na terra seca do controlo. Ele cresce, antes, onde há liberdade: a liberdade de rir alto sem medo de ferir, de sair sem carregar justificações no bolso, de existir sem pedir licença para respirar. Porque quem ama de verdade não quer prender; quer proteger. Não quer moldar; quer conhecer. Não quer sufocar; quer abraçar o outro tal como ele é — com todas as imperfeições, com todas as esquinas por desbravar.
E assim, caminhamos juntos, não porque precisamos, mas porque escolhemos. Partilhamos o riso, as mãos entrelaçadas, os silêncios cheios de sentido. E, no entanto, sabemos que somos dois mundos que se tocam, que se iluminam, mas que não se consomem. Há um espaço sagrado entre nós: espaço para sermos quem sempre fomos, espaço para crescermos, espaço para mudarmos apenas quando a mudança nasce de dentro, não por imposição.
O respeito — essa palavra tantas vezes dita e tão pouco compreendida — vai muito além de evitar traições óbvias. É uma dança subtil de escolhas diárias: não alimentar conversas que sabem a veneno, não lançar olhares que ferem em silêncio, não alimentar segredos que corroem devagar. É o cuidado de proteger a confiança mesmo quando ninguém observa, porque é precisamente aí que mora a verdade do carácter.
E o mais belo é que esse autocontrolo não nos escraviza; liberta-nos. Liberta-nos de culpas, de medos, de sombras que nascem quando deixamos que a vaidade pese mais do que o amor. Há uma paz profunda que nasce quando sabemos que a lealdade não é algo que se exija, mas algo que se oferece — voluntária, quase como uma prece secreta.
Há quem pense que amar é caminhar sempre lado a lado, colados, inseparáveis. Mas a maturidade mostra-nos outra imagem: o amor verdadeiro permite distâncias. Permite que cada um tenha amigos, histórias, gargalhadas que não passam pelo olhar do outro. Permite que possamos partir e regressar, sem que o regresso seja imposto, mas desejado. Porque não somos metades perdidas; somos inteiros que se escolheram.
No coração desse amor há um paradoxo: quanto mais livres nos sabemos, mais fortes são as raízes que nos prendem. Não porque alguém as prendeu, mas porque nós mesmos as plantámos, em solo fértil de respeito e de verdade. E assim, tornamo-nos morada um do outro — não prisão, mas refúgio.
Amamos também as imperfeições, porque sabemos que são parte da nossa humanidade. Não queremos esculpir o outro até à imagem ideal; queremos conhecer a pessoa real, a que falha, a que tropeça, a que às vezes se contradiz. E, no entanto, permanece, e volta, e constrói connosco. O amor verdadeiro não nasce da perfeição, mas do esforço: esse esforço invisível que poucos vêem, mas que sustenta tudo.
Quando um casamento é “de pedra e cal”, não é porque nada o ameaça, mas porque todos os dias erguemos as paredes invisíveis do respeito e da honestidade. Escolhas que parecem pequenas, mas que juntas formam muralhas intransponíveis. Não precisamos de grandes gestos para provar o que sentimos; basta a constância silenciosa das decisões certas.
E assim, na liberdade, na lealdade e na verdade, encontramos a serenidade rara de amar sem medo, de confiar sem reservas, de sermos quem sempre fomos e, ainda assim, sermos um do outro. Somos inteiros, sim — e é por isso mesmo que podemos amar por inteiro.
No fim, o amor verdadeiro não exige que deixemos de ser quem somos. Exige, apenas, que sejamos honestos no silêncio das nossas escolhas. Porque o que realmente constrói, o que realmente perdura, não são as palavras ditas em voz alta, mas os gestos que ninguém vê. E, por isso, quem sabe amar escolhe, todos os dias, não magoar quem ama — mesmo quando poderia. E nesse gesto tão simples, tão invisível, reside toda a grandiosidade do amor. Pensem um pouco!
Porquê criticar a relação do outro com ideologias retrógradas, não têm nada para opinar. Será que não têm vida própria, será que a vossa vida é tão insignificante, insípida que estão a tecer opiniões que só demonstram o quanto queriam um relacionamento assim. A inveja não faz bem a ninguém. A vossas opiniões são fundamentadas nos vossos relacionamentos longos estruturados, certo!? O meu vai fazer trinta anos.
Trinta anos cheios de liberdade e amor, com respeito e compreensão, trinta anos a ignorar pessoas mal intencionadas, mal amadas e que infelizmente em vez de viverem a sua vida querem viver a minha. Um dia muito feliz para todos com muita saúde.
Texto de autoria de Marisa, publicado em Fio de Imaginação (@tecehistorias).
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