"A Solidão Não É o Nosso Maior Medo. O Maior Medo É Encontrarmo-nos".
Há uma ideia profundamente enraizada na cultura contemporânea que raramente é questionada: a de que o pior destino de um ser humano é ficar sozinho. Talvez não seja. Talvez o verdadeiro receio nunca tenha sido a solidão. Talvez sempre tenha sido o encontro inevitável connosco próprios. Reparemos com atenção. Quantas das decisões mais infelizes da nossa vida nasceram verdadeiramente da maldade? Muito poucas. A esmagadora maioria nasceu de outro lugar muito mais silencioso: do medo. Do medo de perder. Do medo de ser abandonado. Do medo de não voltar a ser escolhido. Do medo de não pertencer. Do medo de enfrentar uma casa vazia, um telemóvel silencioso ou um jantar sem companhia. É curioso. O ser humano suporta guerras, crises, doenças, fracassos e perdas extraordinárias. Mas basta imaginar a possibilidade de permanecer sozinho durante algum tempo para sentir uma angústia quase insuportável. E é precisamente aqui que começam muitas das grandes tragédias afectivas. Aceitam-se relações onde...