"Escolhe-te."
Já te perguntaste quantas vezes te anulaste em nome de algo que já não te serve? Quantas vezes aceitaste menos do que mereces porque te disseram que era o normal, que era o esperado, que era assim que a vida funciona? Durante demasiado tempo, eu fiz isso. Acomodei-me ao desconforto, aceitei migalhas, tolerei menos do que sabia que valia. E porquê? Porque mudar assusta. Porque enfrentar a verdade sobre onde estamos e para onde vamos pode ser doloroso. Mas sabes o que dói mais? Permanecer onde não se pertence.
A vida é feita de escolhas, ainda que, por vezes, finjamos que não. Pensamos que não decidir também é uma opção neutra, mas não é. Ficar onde estamos, mesmo quando algo nos corrói por dentro, também é uma escolha. Escolher um trabalho que nos suga a energia sem nos dar realização é uma escolha. Permanecer numa relação que não nos acrescenta, que nos diminui, que nos impede de crescer, é uma escolha. Manter hábitos que nos afastam do nosso propósito e da nossa melhor versão é, também, uma escolha.
E eu? Eu cansei-me de escolher errado. Cansei-me de aceitar uma vida morna, uma existência pela metade, uma rotina sem alma. Porque aprendi, da forma mais dura, que o preço de não mudar é infinitamente mais alto do que o preço da transformação.
Mas o que significa, realmente, mudar? Para muitos, mudar é um conceito abstracto, uma promessa feita no início de um novo ano, um desejo distante que se diz em voz alta mas que raramente se concretiza. Para mim, mudar tornou-se uma necessidade vital. E aprendi que a mudança não acontece em grandes gestos cinematográficos, mas sim nos detalhes do quotidiano.
Mudar é ter a coragem de dizer “não” quando algo não nos faz bem, ainda que isso signifique desagradar aos outros. Mudar é aprender a colocar limites, é perceber que ceder constantemente não é sinónimo de amor, mas sim de autodestruição. Mudar é olhar para dentro e reconhecer padrões que se repetem, histórias que insistimos em reviver porque nos são familiares, mesmo que nos façam mal.
Eu já passei por isso. Já estive presa em situações que me consumiam, mas que continuava a alimentar porque tinha medo do vazio. Achava que um trabalho que me esgotava era melhor do que o desconhecido. Que um relacionamento estagnado era melhor do que a solidão. Que hábitos destrutivos eram mais fáceis de manter do que a disciplina necessária para os quebrar. Mas a verdade é que cada dia que eu escolhia permanecer no mesmo lugar era mais um dia de vida desperdiçado.
E então, um dia, decidi. Não foi um momento mágico nem uma revelação súbita. Foi um processo. Um caminho cheio de dúvidas, de retrocessos, de avanços inseguros. Mas foi um caminho. E foi nesse processo que compreendi que confiar em Deus não é apenas esperar por milagres, mas sim agir com fé. Fé no desconhecido. Fé em mim mesma. Fé de que a vida não foi feita para ser suportada, mas sim vivida plenamente.
Aprendi a escutar-me. A respeitar os sinais que o meu corpo e a minha alma me davam. A aceitar que o medo faz parte, mas que nunca pode ser o factor decisivo nas minhas escolhas. A vida é demasiado curta para ser vivida em sapatos apertados, demasiado preciosa para ser desperdiçada em lugares onde já não encaixamos.
Hoje, olho para trás e vejo a diferença. Vejo a mulher que fui e a mulher que sou. E sei que cada pequena decisão que tomei me trouxe até aqui. Cada "não" que disse, cada risco que corri, cada laço que desatei. Hoje, sou mais fiel a mim mesma. Mais consciente do meu valor. Mais conectada com aquilo que realmente importa.
E tu? Vais continuar a aceitar menos do que mereces? Vais continuar a vestir uma pele que já não é tua, a andar por caminhos que te afastam de quem és? Ou vais, finalmente, escolher diferente? A decisão é tua. Mas lembra-te: a vida que desejas não se constrói com desculpas, mas sim com escolhas.
"Texto de autoria de(tecehistorias ) <Marisa>, publicado em Fios de Imaginação(@"fios de imaginação") (@tecehistorias)."