"O Amor Que Educa"
A cada manhã, ao erguer-me do silêncio da noite, a primeira palavra que me surge é "obrigada". Dou graças a Deus pelo milagre de mais um dia, agradeço à Virgem Maria pela sua intercessão materna e a Jesus Cristo pelos seus ensinamentos, pelos caminhos que desenhou à minha frente e pelo amor que infunde em cada um deles. Encaro a vida como uma dádiva, um compêndio de pequenas bênçãos que se renovam a cada amanhecer. São gestos, palavras, momentos que, por vezes, passam despercebidos no atropelo do quotidiano, mas que carregam consigo a essência daquilo que é verdadeiramente valioso.
Hoje, uma dessas bênçãos chegou-me pela voz de uma amiga. Durante uma conversa aparentemente banal, ela proferiu palavras que tocaram o âmago do meu ser: "Podem dizer que não prestas para nada, podes até não prestar, mas eu admiro muito uma coisa em ti. Admiro-te como mãe. A forma como educas e proteges os teus filhos, como os guias e amas, é algo lindo de se ver. A ligação que tens com eles e com a tua família é única. Não ligues ao que os outros possam dizer; permanece nesse caminho."
Confesso que fiquei sem resposta, emocionada. Não porque precise de validação externa para amar ou cuidar, mas porque as palavras dela foram um espelho onde vi reflectido o meu maior esforço, a minha maior dedicação, a minha vida inteira resumida naquilo que considero a minha maior missão: a minha família.
Os meus filhos são o meu mundo, o meu motivo, a raiz profunda que me mantém firme quando os ventos da adversidade sopram com força. Tudo o que faço, tudo o que planeio e todos os sonhos que ainda guardo têm os seus nomes gravados. Não pretendo ser uma mãe perfeita – quem pode ser? –, mas procuro ser presente, atenta e, acima de tudo, verdadeira. Educar é mais do que ensinar o que é certo e errado; é transmitir valores, oferecer abrigo, mostrar o caminho sem os obrigar a segui-lo, enquanto deixo claro que estarei sempre ao seu lado, mesmo que se percam.
As palavras da minha amiga fizeram-me perceber algo maior: o amor que damos é, muitas vezes, invisível para nós, mas pode brilhar como uma estrela para os outros. Por vezes, mergulhamos tanto nas batalhas do dia-a-dia, nas preocupações, nos sacrifícios que só nós conhecemos, que não percebemos como essas lutas criam uma harmonia que os outros conseguem ver. Esta ligação que tenho com os meus filhos, esta família que construímos juntos, é a minha obra mais preciosa.
Ser mãe não é um título nem uma tarefa – é um estado de ser. É estar constantemente em alerta, é amar incondicionalmente mesmo nos momentos de fraqueza, é corrigir com firmeza mas abraçar com ternura. É ser refúgio quando o mundo lá fora os assusta, mas também ter a coragem de os deixar explorar esse mesmo mundo, mesmo com os medos que insistem em habitar em mim.
A gratidão que sinto, ao ouvir alguém admirar algo que para mim é tão intrínseco, tão natural, é indescritível. É um eco de tudo o que Deus, a Virgem Maria e Jesus Cristo ensinam: amar é agir, amar é permanecer, amar é construir, dia após dia, mesmo quando estamos cansadas ou em dúvida.
E se hoje partilho esta experiência, é porque quero lembrar a todas as mães, pais, amigos e familiares que, muitas vezes, no meio das críticas e dos julgamentos do mundo, há quem veja a beleza dos nossos esforços. Que não nos deixemos abalar pelas vozes que não conhecem as nossas histórias. Que saibamos sempre valorizar as nossas vitórias, pequenas ou grandes, e que nunca percamos o foco daquilo que realmente importa.
Para mim, importa o sorriso dos meus filhos, o brilho nos seus olhos quando correm para os meus braços. Importa a ligação que construímos e fortalecemos todos os dias. Importa ser um exemplo de fé, de resiliência e de amor, mesmo que, para o mundo, isso não seja suficiente.
Que cada um que lê estas palavras possa encontrar força naquilo que tem de mais precioso. Que jamais se esqueça de dar graças, mesmo nos dias mais difíceis. E, acima de tudo, que nunca subestime o impacto do amor que dá, porque, para alguém, esse amor será sempre motivo de admiração.
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