"Os sonhos que ainda sabem o meu nome"
Há sonhos que não chegam durante a noite. Vivem acordados dentro de nós. Crescem silenciosamente enquanto cumprimos tarefas, respondemos a perguntas, atravessamos dias iguais, sorrimos quando é preciso sorrir e continuamos a fazer aquilo que a vida espera de nós. Não fazem barulho. Não exigem passagem. Permanecem. Às vezes durante anos. Talvez seja por isso que os sonhos sejam tão estranhos: não obedecem ao calendário. Podemos envelhecer, mudar de cidade, mudar de pessoas, mudar de ideias, aprender a viver com aquilo que não conseguimos realizar e, ainda assim, existe dentro de nós uma parte que continua a lembrar-se de uma possibilidade que o tempo não conseguiu apagar. Não é necessariamente ingenuidade. Talvez seja memória de futuro. Uma espécie de lembrança daquilo que ainda não aconteceu, mas que, de alguma maneira, já começou a existir dentro de nós no instante em que o imaginámos. Porque antes de uma coisa existir no mundo, alguém teve de a conseguir imaginar. Uma casa foi primei...