"Resposta para a (Carina)"

Entre Mágoa, Nada e Humor 

Quando escrevo sobre alguém que me magoou, os defeitos surgem maiores, mais visíveis e as qualidades menores do que realmente são. 
O coração ferido não tem lentes de misericórdia; conhece apenas dor, desilusão, o peso do que foi quebrado.
Se me magoou, é porque senti, porque me importei, porque vivi.
Mas isso não significa que, depois, continue a ver unicamente defeitos.

O coração magoado é uma lente turva: vê apenas o que dói.
Quando a ferida cicatriza, quando o perdão chega — mesmo silencioso, invisível — não escrevo algo desdenhoso.
Não existe mágoa, existe apenas um nada.
Nada.
E o nada é limpo, silencioso, cruel, libertador.

Faço textos satíricos na mesma.
Respondo a provocações com humor, com ironia cortante, porque tudo o que venha dessas pessoas, desse tópico já nada me toca.
A matéria de escrutínio, seja alguém, seja um gesto, é apenas matéria, como outra qualquer.
Ninguém fica magoado se a consciência estiver pesada, se o rabo estiver preso, ou seja, se eu estivesse a inventar não ficava magoada; chora-se por verdade, não por vaidade, não por capricho. Se chorei foi porque sofri, porque fui injustiçada, acusada e injuriada.
Não se troca o perto pelo longe porque sim. Trocasse por proteção, afastamento, andava quilómetros. E porquê? Para fugir e proteger meu filho e a minha integridade moral e mental 
Quem mente repete factos selecionados e deturpa o resto.
A honestidade vê-se no detalhe, na constância, na ausência de necessidade de manipular. 

Durante muito tempo, evitei responder a perguntas pelo email.
Sabia que algumas questões iam estar sempre presentes, mesmo sem serem feitas.
Podia responder em privado, podia silenciar, podia ignorar.
Mas sou frontal, sincera, ponderada, honesta.
Não sou perfeita, mas sei o que é verdade e reconheço a realidade dos factos.

Deus coloca pessoas no caminho da vida.
Nem todas vêm para caminhar ao nosso lado e elevar-nos; algumas vêm para ensinar, para ferir, para mostrar limites — mas para que possamos aprender e sobreviver.
Não sou vítima, não sou vilã.
Sou humana.
Tudo o que escrevi na altura foi o que senti, vivi, observei.
Não é invenção, não é exagero, não é julgamento gratuito: é realidade pura, crua, directa.

E se um “amigo” se afasta, é porque Deus escuta o que eu não escutei, viu o que eu não vi e afasta o que não é para nós.
Não existe rancor, não existe dor; existe apenas a certeza silenciosa de que há caminhos que se cruzam para ensinar e caminhos que se distanciam para proteger.

Eu me afastei.
Fui para mais longe.
Isso quer dizer o quê?
Quer dizer que aprendi a proteger-me, que aprendi a escolher o que merece espaço, que aprendi que a minha paz vale mais que qualquer proximidade.
Quer dizer que não sou cúmplice da dor de ninguém, nem espectadora daquilo que me diminui.
Fui para longe porque o meu caminho não precisava de peso, não precisava de sombras, não precisava de correntes invisíveis.
Fui para longe para estar inteira, limpa, pronta a respirar e a existir por mim.

O humor, a sátira, a ironia?
São armas silenciosas contra aquilo que já não me toca.
São lembretes de que, quando a mágoa se transforma em nada, só resta liberdade.
Liberdade de rir, de escrever, de olhar sem rancor, de existir inteira, sem necessidade de vingança ou ressentimento.

No fundo, é isso que me define:
não a dor, mas a forma como sobrevivo à dor, transformo-a em nada, em riso, em palavra, em verdade.

Nada permanece em mim senão o que merece estar.
O resto é vento, sombra, memória que não pesa.
Quando o vento sopra, quando a sombra se afasta, é Deus a lembrar-me: o caminho é sempre meu, o coração ferido aprende, o nada é, às vezes, o espaço mais cheio que existe.

Não há vitimização.
Não há exagero.
Não há dramatização.
Há verdade nua, cortante, que não pede permissão, que não se desculpa, que não se curva.
É frontal.
É honesta.
É humana.

O que ficou para trás é nada.
O que resta é liberdade.
O que persiste é eu, inteira, intacta, e pronta a rir da ironia da vida.
Pronta a escrever, pronta a observar, pronta a viver sem peso.
E qualquer provocação que tente tocar, encontrar falha ou magoar encontra apenas o vazio, a sátira, o humor e a verdade que ninguém pode roubar.

Nada mais.
Nada.
E nesse nada, sou inteira.

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