"Porque Escrevo — e Porque Escolhi Estes Temas"

Não escrevi sobre fé, perdão, paz e recomeço por falta de assunto.

Escrevi porque me pediram.
E porque há quem, do outro lado do ecrã, me leia em silêncio e espere — pacientemente — por respostas.

Sei que demoro.
Demoro meses, às vezes quase um ano, a responder a alguns dos pedidos que chegam ao contacto do blogue.
E lamento.
Mas o tempo corre depressa e, como todos, tenho uma vida que não pára.
Casa, família, trabalho, amigos, voluntariado, tarefas, compromissos.
No meio disso tudo, escrevo quando a alma pede, quando o coração encontra um intervalo entre o ruído e o descanso.

Escrever, para mim, nunca foi uma obrigação — é um refúgio.
É o meu modo de organizar o que sinto, de compreender o que vivi, de dar forma ao que ainda não sei dizer em voz alta.
É terapia, sim.
Mas também é estudo, observação, introspecção e, acima de tudo, amor à palavra.

Gosto de pensar que cada texto que partilho é uma extensão do meu diário —
um fragmento de pensamento que talvez não cure, mas que acolhe.
Escrevo como quem conversa, sem filtro nem artifício,
com a honestidade de quem também tropeça, duvida, cai, mas insiste em levantar-se.

Os temas que abordo — fé, perdão, calma, recomeço — não são modas nem exercícios de moral.
São experiências.
São vivências transformadas em escrita, emoções organizadas em frases, aprendizagens convertidas em partilha.
Cada um desses textos nasce de um momento real: de uma perda, de uma reflexão, de uma oração, de um silêncio.
E é por isso que ressoam — porque são humanos.

Muitos perguntam-me como consigo manter o tom sereno em textos tão densos.
A resposta é simples: escrevo depois da dor.
Escrevo quando já consigo olhar para o que aconteceu sem raiva, com a distância necessária para compreender.
E talvez seja isso que faça da escrita uma forma de cura — o tempo que se põe entre o que feriu e o que se entende.

Tenho hobbies que, para alguns, podem parecer estranhos.
Gosto de estudar, de pintar, de tocar instrumentos, de andar sem destino e, claro, de escrever.
Tudo isso é uma forma de estar presente — de viver com consciência e propósito.
E o voluntariado, que faço por natureza, completa esse ciclo: é o que me liga aos outros, é o que me lembra que a empatia é a essência da humanidade.

No fundo, tudo o que escrevo nasce do mesmo lugar:
do desejo sincero de compreender e de partilhar,
de transformar o que aprendo com a vida em algo que, de algum modo, possa tocar quem lê.

Se os meus textos encontram eco em ti, é porque talvez estejamos a caminhar pelas mesmas estradas interiores, ainda que em tempos diferentes.
E isso, para mim, é o maior motivo para continuar.

Não escrevo para ensinar.
Escrevo para lembrar — a mim e a ti — que somos humanos, falíveis, sensíveis, mas infinitamente capazes de recomeçar.


Nota Final

A todos os que me lêem, escrevem, esperam, partilham e se revêm nas palavras que aqui deixo — obrigada.
Obrigada pela paciência, pela presença silenciosa, pelas mensagens que me lembram que a escrita também é ponte.

Este espaço é meu, mas ,não é apenas meu — é nosso.
É o ponto de encontro entre o que sinto e o que tantos de vocês também vivem, cada um à sua maneira.
Escrevo porque me faz bem, mas continuo a partilhar porque sei que, do outro lado, há quem encontre um pouco de si nestas linhas.

Acredito que Deus coloca as pessoas e as palavras certas no caminho, sempre no tempo certo.
E se por algum motivo chegaste até aqui, é porque talvez precisasses de ler isto agora.

Que as minhas palavras nunca sirvam para julgar,
mas para lembrar que ainda há beleza no imperfeito,
força no silêncio,
fé no recomeço
e luz em cada um de nós — mesmo nos dias em que não a vemos.

Com carinho,
— tecehistorias (Marisa) 


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