"E Eu Vou, Mesmo Que o Corpo Diga Não"
Hoje corri. Nem sei como.
O peito apertou, a respiração falhou, o corpo protestou,
e este calor que sobe à testa avisa-me que talvez esteja com febre.
Mas eu vou.
Hoje é a última aula do módulo do Antigo Testamento.
E isso basta para que me levante,
para que me arraste se for preciso,
para que eu vá com o corpo cansado,
mas com o espírito em pé.
Há quem estude por obrigação.
Eu estudo por fome.
Fome de saber,
fome de sentido,
fome de Deus.
Não quero uma fé morna, acomodada, repetida.
Quero compreender o que acredito.
Quero mergulhar no que me transcende.
Quero crescer para dentro,
onde a alma se torna instrumento afinado pelas mãos divinas.
Hoje, quando for 21:15,
lá estarei eu — inteira, mesmo que frágil —
a ouvir,
a aprender,
a questionar,
a abrir espaço dentro do meu peito para que a Palavra faça morada.
O meu corpo poderá tropeçar,
mas a minha vontade não.
Porque quando o espírito diz “vai”,
até a febre se curva e acompanha.
Há algo que me move para além do visível:
o desejo de verdade.
Quero conhecer este Deus que é mistério,
mas que se revela nas entrelinhas da história,
nos detalhes do tempo,
nos silêncios que falam mais alto do que qualquer teólogo.
Quero saber mais — para amar melhor.
Quero entender — para não repetir cegamente.
Quero luz — para nunca confundir superstições com fé,
rituais com espiritualidade,
medo com devoção.
O estudo é oração.
O conhecimento é reverência.
A curiosidade é uma forma de louvor.
E ao sentar-me na cadeira hoje,
antes que a aula comece,
eu rezarei baixinho:
“Espírito Santo,
dá-me a sabedoria que unifica o que sei com o que sinto.
Ensina-me a discernir:
a separar o trigo do joio,
a verdade do ruído,
a fé viva do fanatismo morto.
Que eu nunca aceite aquilo que é menos do que o Teu amor.”
Vim ao mundo para amar —
e amar exige conhecer.
Por isso, hoje vou.
Vou cansada,
vou doente,
vou com febre,
vou talvez a meio gás…
Mas vou com o coração aceso.
Vou com o espírito sedento.
Vou com a alma inteira.
Porque aprender sobre Deus
não é um dever.
É uma honra.
É um presente.
É o próprio caminho que Ele me ofereceu.
E eu escolho caminhar.
Mesmo que seja devagar.
Mesmo que seja de rastos.
Mesmo que doa.
Porque a fé que não se procura
não cresce.
E eu quero crescer.
Quero continuar.
Quero ir sempre mais longe —
até onde a graça me levar.
Hoje, 21:15 —
eu estarei lá.
Porque quem procura Deus, encontra caminho.
Porque quem aprende, expande a alma.
Porque quem insiste na verdade, nunca anda sozinho.
Porque eu acredito.
E acreditar, para mim,
é não desistir.
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