“Antes de Julgares, Aprende a Ver”

Quando o Silêncio Tem Peso
E a Verdade Arranca as Máscaras

Tenho uma boa rede de suporte. Família e amigos que me amam, que me seguram quando o meu chão ameaça desaparecer. Mas ter amparo não impede a dor de instalar raízes. Já caminhei rodeada de luz por fora e mergulhada em sombras por dentro — um início de depressão que ninguém vê, mas que muda tudo.

Nunca fui de fingimentos. O teatro social nunca me atraiu. E, mesmo assim, já precisei de usar máscaras invisíveis para sobreviver a dias que pareciam maiores do que eu. A vida, por vezes, obriga-nos a colocar armaduras para proteger o que o coração já não consegue sustentar.

Mas há algo que aprendi, com clareza brutal:

Há máscaras que protegem.
E há máscaras que destroem.

Há quem esconda a dor para não preocupar ninguém,
e há quem esconda a maldade para ferir em segurança.

Há quem silencie o choro para não perturbar,
e há quem silencie o veneno para o lançar no momento perfeito.

Uns disfarçam a alma porque sangra.
Outros disfarçam o carácter porque é podre.

Não confundas.
Não mistures luz com escuridão.
Não atribuas a quem sofre as intenções de quem manipula.

Porque a minha máscara — quando existiu — foi abrigo.
A de outros — que já encontrei pelo caminho — é armadilha.

Há pessoas que usam máscaras para sobreviver,
e há pessoas que usam máscaras para devorar.

E é por isso que agora digo, sem hesitações:

Não julgues o outro.
Não sabes quantas batalhas travou só para conseguir estar de pé.
Não sabes quantas noites chorou sem fazer barulho.

Pára de falar da vida alheia.
Pára de inventar para te sentires grande.
Pára de denegrir quem não conheces.

Se não gostas, afasta-te.
Se não queres ajudar, pelo menos não magoes.
A maldade que sai da tua boca pode ser o golpe final
em alguém que já está a lutar para não desaparecer.

Eu sei o que é ser forte quando já não há forças.
Eu sei o que é sorrir enquanto o peito arde de dor não dita.

E digo-te:
a dor que se esconde também precisa de cuidado.
o pedido de ajuda calado também merece resposta.

Sou mulher de fé — e Deus vê tudo.
Deus sabe quem fere e quem cura,
quem destrói e quem resiste,
quem mente e quem luta pela verdade.

Hoje escrevo como quem se liberta.
Hoje falo como quem já não aceita rótulos injustos.
Hoje existo com dignidade porque sobrevivi ao meu próprio silêncio. E gostei do silêncio, ainda o procuro todos os dias.

Que jamais confundam as minhas máscaras de defesa
com as máscaras de quem veste a dissimulação como segunda pele.

Que os olhos aprendam a discernir:
Há quem carregue a dor com coragem silenciosa
e há quem carregue a crueldade com orgulho camuflado.

A diferença é abissal.
E ignorá-la também é pecado.

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