"Quando Deus Me Encontrou Inteira"

Eu sou só uma mulher.

Uma entre milhões.
Mas uma que ousa perguntar:

Quem entra na igreja realmente teve um encontro com Deus?

Porque a verdade é esta:
quem O encontra não sai igual.
O amor de Deus é demasiado profundo para não deixar marcas.

O padre, ontem, falou com uma sabedoria que me atravessou:
“Há quem vá à igreja… mas nunca se encontre com Deus.”
E eu revi-me.
Era como me escutar por dentro.

Porque um verdadeiro encontro com Deus
não te torna perfeita — torna-te consciente.

Se eras mentirosa,
não sais de lá e deixas de mentir num instante,
mas começas a lutar contra a mentira.
Se dizias oito mentiras,
passas a dizer cinco,
e amanhã menos,
até que a verdade te habite.

Se antes alimentavas maledicência,
agora engoles a palavra antes de ferir.
Se antes eras indiferente à injustiça,
agora o teu coração lateja contra ela.

É assim que sabemos
que Cristo entrou na casa da alma:
quando o amor começa a arrumar os quartos do carácter.


A verdadeira conversão é moral, não teatral

Não adianta segurar o terço na mão
e a Bíblia na outra
se o coração permanece fechado.

Deus não se impressiona com:
• cerimónias vazias
• moralismos agressivos
• máscaras devotas

Ele pede misericórdia, empatia, verdade.
Pede respeito, lealdade, humildade.
Pede que ajudemos o colega a brilhar —
porque a luz do outro não apaga a nossa.

A fé não se prova com lugares ocupados num banco de igreja,
mas com lugares ocupados no coração dos outros.

E por isso eu digo:
não obrigo ninguém a ir à missa.
Fé não é guiar pela trela — é ser chamado pelo coração.


Deus quer a minha alma inteira — não a minha alma encolhida

Há quem pregue que ser de Deus é deixar de viver.
Mas Deus não me pediu que abandonasse a festa,
que fechasse o decote,
que apagasse o batom vermelho,
que rejeitasse um brinde com amigos.

Ele criou o vinho.
Criou a música.
Criou o riso.

Ele não me pede recato — pede equilíbrio.
Não me rouba a liberdade — dá-me rumo.
Não me quer apagada — quer-me luz no meio do mundo.

A mudança que Ele me pede
não é estética — é ética.
Não é censura — é cura.
Não é puritanismo — é verdade.

O milagre d’Ele começa no invisível:
no pensamento que se purifica,
no gesto que se dá,
na palavra que se contém,
no orgulho que se ajoelha,
no amor que se expande.


Deus transforma-me sem me apagar

Cristo partilhava a mesa com pecadores.
Amava os desprezados.
Rompeu com os religiosos que vestiam máscara de santidade
mas carregavam o coração seco.

Eu aprendi:
não preciso fugir do mundo para ser de Deus.
Preciso ser de Deus dentro do mundo.

A santidade não é ausência de defeitos —
é presença de amor.

O meu caminho é feito de quedas,
de avanços tímidos,
de recomeços diários.
Mas cada passo, por menor que seja,
é uma vitória do céu no chão da minha vida.


A fé é encontro, processo e chama

Não preciso de ser perfeita para ser amada.
Mas quando me sei amada,
torno-me melhor — naturalmente.

Deus seduziu-me…
e eu deixei-me seduzir.
Como escreveu o profeta Jeremias (20,7).

Hoje, não quero uma fé que me encolha:
quero uma fé que me expanda.
Que me faça inteira.
Humana.
Viva.
Autêntica.
Valente.
Luz.

No final, acredito que Deus só me perguntará:

“Amáste-Me com o coração inteiro?”

E eu responderei com a vida e com a alma:

“Sim, Senhor.
Eu amei-Te na verdade.
E deixei-Te transformar o meu coração.”

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