"Companheirismo: O Amor que Cresce"

Há quem acredite que o amor amadurecido perde fogo.

Nós provámos o contrário.
O amor amadurecido é chama constante:
menos faísca, talvez —
mas infinitamente mais calor.

O que temos foi-se construindo passo a passo,
com o cimento do compromisso
e o brilho das pequenas escolhas diárias:
o respeito mantido,
o cuidado oferecido,
a ternura que não se pede —
dá-se.

O amor pode começar no encantamento,
mas só sobrevive no companheirismo.
Na vida partilhada.
No olhar que lê o silêncio.
Na mão que se estende sem que seja preciso chamar.

A paixão acende.
Mas o companheirismo abriga.

Somos cúmplices — e essa é a base da nossa fortaleza.
Rimo-nos das nossas imperfeições,
celebramos as nossas vitórias,
amparámo-nos nas quedas
e aprendemos a curar sem ferir.

Há uma nobreza silenciosa no acompanhar:
estar ali —
não para resolver,
não para mandar,
não para vigiar —
apenas para segurar o mundo para o outro respirar.

Fomos descobrindo que o amor não se mede pelos dias perfeitos,
mas pela capacidade de sermos abrigo
quando a vida se torna tempestade.

Ser tua companheira não foi acaso —
foi construção.
Foi decisão consciente
de permanecer e elevar.

E o mais bonito?
Tu fizeste o mesmo por mim.

Somos parceiros:
nas conquistas, nos medos, nas ideias mirabolantes,
nas noites exaustas,
nas manhãs apressadas,
no quotidiano que só ganha valor
porque é vivido a dois.

Não vivemos um amor dependente —
vivemos um amor que liberta e, mesmo assim, escolhe ficar.
E isso, para mim,
é a forma mais pura de eternidade.

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