"Procissão..."
Ah, as procissões! Esses eventos cheios de fé, devoção e tradição, que unem comunidades inteiras em um só coração pulsante. No entanto, vamos falar sobre um grupo específico de indivíduos que sempre aparece nesses eventos: aqueles que nunca colocam os pés em uma missa, mas surgem na procissão com uma devoção repentina e teatral.
Vamos chamá-los de "fiéis de ocasião". Estes são os mesmos que, no resto do ano, mal sabem onde fica a igreja, mas quando chega a procissão, aparecem como mariposas atraídas pela luz. É um espetáculo curioso e, de certo modo, Cómico. Veja bem, a Bíblia é bastante clara sobre a necessidade de uma fé genuína e constante. Em Mateus 6:5-6, Jesus diz: "E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e nos cantos das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa."
Mas, ah, quem se importa com tais minúcias quando há uma procissão para participar? A ideia de que a fé deve ser uma prática contínua, e não apenas uma exibição pública ocasional, parece escapar completamente a esses indivíduos. É fascinante como a necessidade de serem vistos como devotos os leva a aparecer apenas nas ocasiões mais visíveis e públicas. Afinal, por que se preocupar com a missa dominical, quando se pode fazer uma aparição grandiosa na procissão anual?
Esses "fiéis de ocasião" são mestres em adotar a postura e a linguagem corporal da devoção. Seguram as imagens com uma intensidade que beira o caricatural, recitam orações com um fervor que, infelizmente, desaparece tão logo a procissão termina. A missa dominical? Isso é para os outros. A verdadeira fé deles só floresce em meio ao brilho e ao glamour de uma procissão. Mesmo no dia a dia esquecem os ensinamentos de Cristo e as virtudes que devem ter em suas ações.
Adjetivar um pouco: são inconsistentes, superficiais, e fingidos. A espiritualidade que exibem na procissão é tão profunda quanto uma poça d’água após a chuva. Nos outros dias, é como se a igreja não existisse. Talvez não saibam, mas a fé católica é um compromisso contínuo, não um evento anual.
Então, o que motiva esses indivíduos? Talvez um desejo de parecer devoto aos olhos dos outros, uma necessidade de aprovação social ou até mesmo um simples desejo de participar de um evento comunitário. O que quer que seja, não é fé verdadeira. É uma performance, um espetáculo público.
Em vez de criticar a procissão em si, que é uma bela expressão de fé e tradição, é importante notar que a verdadeira devoção não pode ser ativada e desativada conforme a conveniência. A fé católica é uma jornada contínua, uma prática diária que vai muito além de carregar uma imagem, acompanhar a pé levar um estandarte ou segurar um cordão, uma vez por ano. Talvez seja hora desses "fiéis de ocasião" refletirem sobre isso e considerarem que a missa semanal não é apenas um compromisso, mas uma oportunidade de crescimento espiritual genuíno.
Em suma, a procissão é uma bela tradição, mas não deveria ser usada como palco para a exibição de uma devoção que não existe no dia a dia. A verdadeira fé é uma prática constante, uma jornada de compromisso e humildade. Para aqueles que só aparecem na procissão, talvez seja hora de reconsiderar o que realmente significa ser um fiel, deixar o palco ou serem mesmo fiéis.
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