"Equívoco"
Há um equívoco recorrente — subtil, mas profundamente determinante — na forma como avaliamos os outros: a tendência para atribuir mais peso ao que é dito do que ao que é efetivamente feito. Vivemos, em grande medida, orientados pelo discurso, pela aparência da intenção, pela construção verbal que alguém apresenta de si mesmo. E, nesse processo, esquecemo-nos de algo essencial: as palavras podem ser pensadas, ensaiadas, ajustadas; o comportamento, sobretudo em momentos de tensão, raramente o é. Julgar de forma errada nasce, muitas vezes, desse desequilíbrio. Damos crédito ao que soa bem, ao que encaixa naquilo que queremos acreditar, ao que nos conforta. Observamos gestos em contextos favoráveis — onde tudo flui, onde não há resistência, onde não há conflito — e, a partir daí, formamos uma ideia do outro. Mas essa ideia é, frequentemente, incompleta. Porque há uma diferença fundamental entre agir e reagir. A forma como alguém age contigo pode ser cuidadosamente construída. Pode ...