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“A Armadilha Linguística de ‘Haja’ e ‘Ajam’ Explicada Sem Complicações”

A língua portuguesa possui um talento raro. Consegue transformar palavras perfeitamente inocentes em armadilhas linguísticas de elevada complexidade. Uma dessas armadilhas chama-se: haja Há pessoas cultíssimas que escrevem artigos académicos impecáveis, citam filósofos alemães sem pestanejar e conseguem explicar a teoria da relatividade a adolescentes. Mas colocam-lhes à frente uma frase com “haja” e observa-se imediatamente um fenómeno neurológico interessante: o olhar perde foco. A alma abandona temporariamente o corpo. E o cérebro sussurra: “Isto escreve-se mesmo assim?” Escreve. E pior: costuma estar correto. Comecemos pelo essencial. O verbo haver é um dos grandes aristocratas da língua portuguesa. Antigo. Influente. Ligeiramente excêntrico. E com hábitos gramaticais próprios. Quando o verbo haver significa existir , é impessoal. E quando um verbo é impessoal, acontece algo que perturba profundamente o espírito humano: fica no singular. Sempre. Mesmo qu...

“A Língua Portuguesa e a Arte de Humilhar Adultos Funcionais”

Há um momento na vida de qualquer falante de português em que a autoconfiança desaparece. Não é quando recebe uma carta das Finanças. Embora seja semelhante. É quando precisa de escrever: “Se eu vir…” E o cérebro, subitamente, entra em modo de emergência. Porque a língua portuguesa possui um passatempo muito específico: humilhar pessoas perfeitamente alfabetizadas. Uma pessoa pode: ter licenciatura; mestrado; doutoramento; carreira internacional; publicar artigos científicos; gerir equipas; falar três línguas; e, ainda assim, parar durante quinze segundos diante de: “Se eu vir” ou “se eu ver”? A gramática portuguesa é assim. Nunca perde uma oportunidade de lembrar-nos que a soberba é pecado. A resposta correta é: Se eu vir. Sim. “Vir”. E aqui começa o pequeno thriller linguístico. Porque o verbo é: ver Mas no futuro do conjuntivo transforma-se em: quando eu vir se eu vir logo que eu vir E é neste momento que metade da população lusófona...

"Nicolau II: o Centésimo Quinquagésimo Terceiro Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Estêvão IX, a Igreja de Roma elegeu Nicolau II , reconhecido como o centésimo quinquagésimo terceiro Papa da Igreja Católica e sucessor de Estêvão IX na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1058 e 1061 da era cristã e foi decisivo para a história do papado. Nicolau II é especialmente recordado pelas reformas que alteraram profundamente o modo de eleição dos papas, fortalecendo a independência da Igreja perante as influências políticas externas. Origem e formação Nicolau II nasceu na Borgonha , no actual território da França, e o seu nome de nascimento era Gérard de Bourgogne . Recebeu sólida formação eclesiástica e destacou-se pela sua inteligência, prudência e capacidade administrativa. Antes da sua eleição para o papado, servia como bispo de Florença, onde ganhou reputação de homem reformador e defensor da disciplina eclesiástica. Eleição ao papado A eleição de Nicolau II ocorreu num momento de grande tensão. Após a morte de: Estêvão IX uma...

"Estêvão IX (ou Estêvão X): o Centésimo Quinquagésimo Segundo Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Vítor II, a Igreja de Roma elegeu Estêvão IX (frequentemente numerado também como Estêvão X , devido às variações históricas na contagem dos papas chamados Estêvão), reconhecido como o centésimo quinquagésimo segundo Papa da Igreja Católica e sucessor de Vítor II na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1057 e 1058 da era cristã e, embora breve, teve grande importância para o movimento reformador da Igreja. Estêvão IX é lembrado pelo seu apoio às reformas e pela promoção de figuras que viriam a marcar profundamente a história do papado. Origem e formação Estêvão IX nasceu por volta do ano 1020 e o seu nome de nascimento era Frederico de Lorena . Pertencia à poderosa Casa das Ardenas-Verdun e era irmão de: Godofredo III da Baixa Lotaríngia Recebeu sólida formação religiosa e ingressou cedo na vida eclesiástica. Serviu como arquidiácono e desempenhou missões diplomáticas importantes para a Santa Sé. Mais tarde, tornou-se abade do famoso: Mostei...

"Vítor II: o Centésimo Quinquagésimo Primeiro Papa da Igreja Católica"

Após a morte de São Leão IX, a Igreja de Roma elegeu Vítor II , reconhecido como o centésimo quinquagésimo primeiro Papa da Igreja Católica e sucessor de Leão IX na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1055 e 1057 da era cristã e deu continuidade às grandes reformas iniciadas pelos seus predecessores. Vítor II desempenhou também importante papel político no Sacro Império Romano-Germânico, tornando-se uma figura central nas relações entre a Igreja e o poder imperial. Origem e formação Vítor II nasceu na Suábia , no actual território da Alemanha, por volta do ano 1018 . O seu nome de nascimento era Gebardo de Calw, Dollnstein e Hirschberg . Pertencia à nobreza germânica e recebeu excelente formação religiosa e intelectual. Ainda jovem, chamou a atenção do imperador: Henrique III que o nomeou bispo de Eichstätt. Como bispo, destacou-se pela sua capacidade administrativa e pela defesa das reformas eclesiásticas. Eleição ao papado Após a morte de: São Leão IX ...

"São Leão IX: o Centésimo Quinquagésimo Papa da Igreja Católica"

Após a morte de Dâmaso II, a Igreja de Roma elegeu Leão IX , reconhecido como o centésimo quinquagésimo Papa da Igreja Católica e sucessor de Dâmaso II na Sé de Roma. O seu pontificado decorreu entre os anos 1049 e 1054 da era cristã e é considerado um dos mais importantes da história medieval da Igreja. Leão IX foi um grande reformador e desempenhou papel decisivo na renovação moral do papado. É venerado como santo pela Igreja Católica. Origem e formação Leão IX nasceu em 1002 , na região da Alsácia , então parte do Sacro Império Romano-Germânico. O seu nome de nascimento era Bruno de Egisheim-Dagsburg . Pertencia a uma família nobre e recebeu excelente formação religiosa e intelectual. Ainda jovem, entrou ao serviço da Igreja e tornou-se bispo de Toul, onde ganhou fama de administrador competente e homem de profunda espiritualidade. Eleição ao papado Após a morte de Dâmaso II, o imperador: Henrique III indicou Bruno para a Sé Apostólica. Contudo, Bruno tomou uma decisão ...

"Reflexão (12/06/2026)"

 Dizem que estou mais invisível. Uma observação curiosa, quase comovente, mas epistemologicamente imprecisa (ou seja: não corresponde bem à realidade, mas soa sofisticada o suficiente para circular em sociedade). Porque, na verdade, não estou invisível. Estou apenas em regime de visibilidade selectiva — uma expressão elegante para dizer que já não me exponho com a ingenuidade de outrora. E sim, aqui entra a nuance importante. Durante muito tempo, eu partilhava tudo. Absolutamente tudo. Reflexões diárias, vivências, pensamentos, sentimentos, acções, reacções, atitudes, passeios, conversas, epifanias menores e dramas existenciais de terceira categoria (aqueles que parecem profundos às três da manhã e ridículos às três da tarde). Escrevia no próprio dia. Por vezes antes de ir. Outras vezes enquanto ainda estava a ir. Houve até fases em que a vida parecia um evento secundário da escrita — uma espécie de ensaio geral para um texto que já estava, secretamente, publicado na minha cabeça. ...