“A Armadilha Linguística de ‘Haja’ e ‘Ajam’ Explicada Sem Complicações”
A língua portuguesa possui um talento raro. Consegue transformar palavras perfeitamente inocentes em armadilhas linguísticas de elevada complexidade. Uma dessas armadilhas chama-se: haja Há pessoas cultíssimas que escrevem artigos académicos impecáveis, citam filósofos alemães sem pestanejar e conseguem explicar a teoria da relatividade a adolescentes. Mas colocam-lhes à frente uma frase com “haja” e observa-se imediatamente um fenómeno neurológico interessante: o olhar perde foco. A alma abandona temporariamente o corpo. E o cérebro sussurra: “Isto escreve-se mesmo assim?” Escreve. E pior: costuma estar correto. Comecemos pelo essencial. O verbo haver é um dos grandes aristocratas da língua portuguesa. Antigo. Influente. Ligeiramente excêntrico. E com hábitos gramaticais próprios. Quando o verbo haver significa existir , é impessoal. E quando um verbo é impessoal, acontece algo que perturba profundamente o espírito humano: fica no singular. Sempre. Mesmo qu...