"O tempo dirá"
Hoje, quando o meu filho saiu da escola, trazia nos olhos um brilho diferente — uma luz serena e determinada que não me passou despercebida. Assim que me viu, correu para mim, abraçou-me com força e, ainda ofegante da excitação, anunciou:
— Mãe, afinal, quando for grande quero ser professor! De Matemática ou de Inglês. E quero ser professor aqui na minha escola.
Confesso que, naquele instante, senti o coração vacilar. Não era, de todo, a profissão que alguma vez imaginei ou ambicionei para ele. Sorri, procurando não deixar transparecer a minha surpresa, e respondi que ainda tinha muito tempo para decidir, para crescer, para pensar melhor sobre o futuro. Perguntei-lhe, com genuína curiosidade, o que o fizera mudar de ideias.
Com entusiasmo, explicou-me que, naquele dia, a professora de Inglês o escolhera para ajudar a corrigir os trabalhos dos colegas. Sentira-se como um pequeno professor adjunto, investido de uma responsabilidade nova e emocionante. Disse-me que adorara orientar os outros, esclarecer dúvidas, perceber que conseguia explicar e que os colegas o escutavam com atenção.
Acrescentou ainda que esta vontade não nascera apenas agora. Desde a professora do 4.º ano que a ideia lhe pairava no pensamento, ainda que tímida. Porém, nesta nova escola, essa vontade ganhara forma. Fala da professora de Inglês com admiração — diz que ensina muito bem, que é simpática, paciente e divertida. E conta que a professora de Matemática também o inspira, que o desafia a pensar, a procurar soluções, a não desistir perante as dificuldades.
Ouvi-o atentamente. Senti-me feliz por o ver tão inspirado, tão tocado pelo exemplo daqueles que o ensinam. Mas, ao mesmo tempo, não consegui evitar uma ponta de desilusão por imaginá-lo a seguir um caminho que nunca idealizei para ele. Talvez porque queira para o meu filho horizontes amplos, oportunidades diversas, reconhecimento e estabilidade — ainda que, no fundo, saiba que todas as profissões têm a sua dignidade e o seu valor.
Ele é ainda tão novo. O mundo é vasto e o tempo encarregar-se-á de lhe mostrar novas possibilidades. Pode muito bem mudar de ideias — como é próprio da infância, feita de descobertas e reinvenções constantes.
E, quem sabe, talvez este brilho especial que hoje lhe iluminava o rosto seja apenas o primeiro sinal de que encontrou, ainda que por instantes, algo que lhe desperta verdadeira paixão.
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