"Verdade silenciosa"

 Há uma verdade silenciosa que aprendi ao longo do meu caminho — e aprendi-a não nos livros, mas na experiência crua de viver: existem pessoas que torcem contra nós sem que lhes tenhamos feito mal algum. Não lhes passei por cima. Não prejudiquei. Não manipulei. Apenas segui o meu percurso, com as quedas e os recomeços que me couberam.

E, ainda assim, há quem prefira assistir à nossa queda em vez de celebrar o nosso crescimento.

Durante muito tempo interroguei-me. Procurei em mim a culpa invisível, o erro não identificado, a falha escondida. Mas a maturidade — essa que dói, mas ilumina — ensinou-me algo essencial: nem tudo o que é projetado sobre mim me pertence. Há sentimentos que não nascem daquilo que sou, mas do vazio que habita o outro.

Social e psicologicamente, é um fenómeno conhecido: a frustração não resolvida procura sempre um alvo externo. Quem não está reconciliado com a própria história sente desconforto diante de quem avança. O crescimento alheio funciona como espelho. E os espelhos nem sempre são bem-vindos quando revelam aquilo que evitamos enfrentar.

Pessoas emocionalmente bem resolvidas não desperdiçam energia a desejar o fracasso de ninguém. Quem está em paz apoia, vibra, encoraja. A abundância interior gera generosidade. A escassez interior gera comparação, inveja, resistência. Isto não é julgamento; é constatação humana.

Aprendi também que tentar compreender a raiz de toda a oposição pode tornar-se uma armadilha. Nem tudo precisa de ser decifrado. Nem toda a crítica exige resposta. Há batalhas que não são nossas. Há ruídos que não merecem a nossa paz.

O meu crescimento pode incomodar — não por arrogância minha, mas porque a evolução expõe a estagnação de quem escolheu ficar parado. E isso, inevitavelmente, cria tensão.

Mas há algo que me sustenta: aquilo que é para mim não depende da aprovação alheia. A fé ensinou-me que nenhum olhar enviesado tem poder sobre aquilo que Deus permite florescer na minha vida. Quem torce contra pode assistir de longe, pode comentar, pode duvidar — mas não pode impedir aquilo que foi semeado com verdade.

Hoje já não caminho para provar nada. Caminho para ser inteira. E isso basta.

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