"Continuo a escrever"
Boa noite.
Escrevo estas palavras com a mesma intenção com que, há anos, seguro uma caneta: não para ocupar espaço, mas para lhe dar sentido.
Continuo a escrever. Nunca deixei de o fazer. Apenas respeito um ritual que para mim não é detalhe, mas essência. Antes de qualquer palavra surgir neste espaço digital, ela nasce no papel. Precisa do silêncio da folha, do peso da tinta, da pausa entre uma frase e outra. Escrevo primeiro com o corpo — com a mão que sente, com o pensamento que amadurece, com a emoção que encontra forma antes de procurar público.
A paixão pelo papel não é nostalgia; é método interior. É ali que penso com mais profundidade, que erro com mais liberdade, que sinto sem a pressão da publicação imediata. O papel obriga-me a demorar. E, numa época em que tudo é instantâneo, demorar tornou-se um acto quase subversivo.
Tenho estado bastante ocupada. A vida exige presença, e nem sempre o tempo se organiza com a generosidade que desejaríamos. Por isso, a passagem dos textos do formato físico para este nosso espaço tem ficado em suspenso. Não por ausência de conteúdo, mas por excesso de realidade. Ainda assim, em breve farei essa transição com a atenção que merece.
O que virá?
Mais do que textos — continuidade.
Além das reflexões pessoais, partilharei algumas explicações sobre os Evangelhos e o Apocalipse: curiosidades históricas, simbologias dos evangelistas, contextos culturais e literários que muitas vezes passam despercebidos. Falarei do Antigo e do Novo Testamento não como compêndios distantes, mas como narrativas vivas, atravessadas pelo mistério de Deus e pela complexidade humana. Abordarei o Credo, a tradição, a fé — não como fórmulas decoradas, mas como estruturas de sentido que moldaram civilizações e consciências.
Haverá também espaço para aquilo que me é igualmente essencial: a reflexão sobre as características do ser humano — as suas contradições, impulsos, grandezas e fragilidades. Narrativas de vivências. Pensamentos sobre ações e reações. A delicadeza da discrição num mundo que confunde exposição com autenticidade.
Partilharei resumos de livros acompanhados da minha leitura crítica — porque ler é dialogar. Escreverei textos filosóficos, pedagógicos, psicológicos. Procurarei cruzar tradição e contemporaneidade, fé e razão, experiência e análise. Não como quem pretende ensinar, mas como quem deseja pensar em conjunto.
Quero agradecer profundamente a quem continua a ler — e a reler. As centenas de visualizações diárias não são números; são presença. São tempo oferecido. São atenção concedida num mundo saturado de estímulos. Agradeço também os emails, as partilhas, as questões enviadas. Tenho vários textos já escritos sobre os tópicos que sugeriram, bem como respostas que aguardam apenas o momento certo para serem publicadas.
Escrever, para mim, nunca foi produção em série. É compromisso. É responsabilidade intelectual. É cuidado com a palavra e com quem a recebe.
Se demoro, é porque respeito o processo.
Se publico, é porque acredito que a reflexão ainda tem lugar.
Boa noite.
Que o descanso vos encontre serenos — e que, quando regressarmos às palavras, regressemos com mais profundidade do que pressa.
Comentários
Enviar um comentário