"A pressa "

 Há pessoas que vivem com pressa.

Pressa de serem compreendidas, pressa de serem validadas, pressa de verem as coisas resolvidas à sua maneira e no seu tempo. Nessa urgência constante, acabam por gastar energia a convencer — a convencer os outros, a convencer as circunstâncias, a convencer até a própria vida de que têm razão, de que merecem resposta, de que precisam ser ouvidas.

Mas a sabedoria começa precisamente onde essa pressa termina.

Quem age com maturidade interior aprende algo essencial:
o tempo não se discute, respeita-se.
E quando é respeitado, o tempo revela o que nenhuma explicação consegue sustentar. Ensina sem violência, alinha sem imposição e coloca cada coisa no seu devido lugar com uma precisão silenciosa e inevitável.

Não é preciso convencer nada nem ninguém.
A tentativa de convencer nasce quase sempre do medo — medo de não ser visto, de ser mal interpretado, de perder espaço. E, paradoxalmente, quanto mais se tenta provar, mais se perde força. Há verdades que se defendem sozinhas. Há posturas que falam mais alto do que qualquer discurso.

O silêncio, ao contrário do que muitos pensam, não é ausência.
É presença concentrada.
É um acto consciente de preservação.
Preserva a energia, protege a dignidade, evita conflitos que só serviriam para desgastar e permite que a vida faça o trabalho que nenhuma palavra, por mais bem articulada, conseguiria fazer.

Dar tempo ao tempo não é resignação — é inteligência emocional e espiritual.
É compreender que há processos que não aceleram sem se corromper.
É aceitar que nem tudo precisa de resposta imediata, que nem toda provocação merece reação, que nem toda batalha merece palco.

Quando se dá tempo ao tempo, algo notável acontece:
as intenções escondidas revelam-se sozinhas,
as máscaras caem pelo próprio peso,
as verdades emergem sem necessidade de confronto.
E tudo isso acontece sem ferir a paz interior — essa paz que se perde tão facilmente quando se tenta explicar demais.

Nem todas as batalhas merecem a nossa voz.
Algumas merecem silêncio.
Outras, distância.
Outras ainda, apenas a decisão firme de seguir em frente sem olhar para trás.

Porque, no fim, a maior prova de sabedoria
não está em vencer argumentos
nem em ser compreendida por todos,
mas em continuar em paz consigo própria
enquanto o tempo — paciente, justo e implacável —
se encarrega de alinhar, esclarecer e falar por nós.

E quando o tempo fala, fala com autoridade.
Sem ruído.
Sem pressa.
Sem necessidade de convencer ninguém.

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