"Não permitas"
Nunca permitas que ninguém te faça esquecer quem és.
Há momentos na vida em que as vozes exteriores se tornam tão insistentes que quase abafam a tua própria. Opiniões, expectativas, julgamentos, conselhos não solicitados — tudo parece querer moldar-te, ajustar-te, enquadrar-te numa forma mais cómoda para os outros. Aos poucos, se não estiveres atento, começas a hesitar diante daquilo que sabes ser verdadeiro em ti.
Mas a tua identidade não é matéria maleável ao gosto alheio.
É construção íntima. É percurso. É consciência.
És feito de histórias que ninguém viveu como tu, de cicatrizes que carregam aprendizagem, de sonhos que nasceram no silêncio do teu próprio coração. Cada fragmento teu foi esculpido por escolhas, quedas, recomeços, afectos, perdas e superações. Nada em ti é acidental. Nada é descartável.
Permitir que alguém te apague é trair essa construção.
A vida é, por natureza, um campo de influências. Haverá sempre quem tente indicar-te o caminho “certo”, definir o que deverias ser, corrigir a tua forma de existir. Alguns fazem-no por cuidado, outros por incompreensão, outros ainda por incapacidade de lidar com a tua autenticidade. Mas nenhum olhar exterior possui autoridade absoluta sobre quem és.
A tua autenticidade é a tua força mais rara.
Num mundo que valoriza adaptações rápidas e identidades moldáveis, permanecer fiel ao que vibra no teu interior é um acto de coragem. Não significa rigidez ou arrogância; significa coerência. Significa que escutas, ponderas, reflectes — mas decides a partir da tua consciência, não da pressão.
Quem te respeita verdadeiramente não tentará reduzir-te.
Quem te ama não procurará transformar-te em versão conveniente.
O amor saudável reconhece a inteireza do outro. Valoriza a diferença. Não exige que apagues partes de ti para caber numa expectativa. Pelo contrário, encontra beleza precisamente naquilo que te distingue.
Lembra-te: a tua identidade é o teu maior património.
Não é negociável. Não é substituível. Não é replicável.
Haverá momentos de dúvida, inevitavelmente. Momentos em que te questionarás se não seria mais fácil ajustar-te, ceder, suavizar o que és para evitar confronto ou rejeição. Mas facilidade momentânea não compensa a perda de integridade. A paz verdadeira nasce quando há alinhamento entre aquilo que és por dentro e aquilo que apresentas ao mundo.
És único — não por elogio vazio, mas por realidade ontológica.
És forte — não porque nunca vacilas, mas porque regressas a ti.
És suficiente — não porque sejas perfeito, mas porque és inteiro.
Nada, nem ninguém, pode alterar o teu valor intrínseco. Podem tentar descredibilizar-te, minimizar-te, reinterpretar-te. Mas o teu valor não depende da aprovação, nem se altera com a crítica. Ele reside na tua essência, na tua consciência, na dignidade com que escolhes viver.
Nunca permitas que te façam esquecer quem és.
Se for preciso, afasta-te do ruído.
Se for necessário, recomeça.
Mas mantém-te fiel à verdade que reconheces em ti.
Porque quando sabes quem és, o mundo pode falar —
mas já não te define.
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