"Missa"
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Hoje, ao abrir o Messenger e ao percorrer as mensagens que me haviam sido enviadas, deparei-me com algumas observações que me feriram — não pela discordância, que é legítima e até saudável, mas pela forma apressada, desinformada e, permitam-me a franqueza, ignorante como foram formuladas. Peço desculpa pela dureza do termo, mas não encontro outro que exprima, com rigor, aquilo que senti ao ler palavras escritas sem conhecimento daquilo que se julgava criticar.
Se eu sou católica, falo da fé que abracei. Comento aquilo que escolhi viver. Não me compete pronunciar-me sobre religiões que desconheço, pois fazê-lo seria, precisamente, cair na tal ignorância que tanto lamento. Mesmo dentro da minha própria Igreja, caminho com prudência e humildade: sou católica há pouco tempo. Estou a aprender. Estou a escutar. Estou a deixar-me formar.
Ainda assim, sinto-me no dever de responder — não individualmente, não expondo nomes, mas diante de todos — porque a fé, quando é vivida com verdade, não se esconde nem se envergonha.
Dizer que a Missa é monótona, que é apenas “levantar, sentar e ajoelhar”, revela que nunca se entrou verdadeiramente no seu mistério. A Missa não é uma sucessão mecânica de gestos: é uma pedagogia viva, uma catequese contínua que começa no instante em que atravessamos a porta da igreja e só termina quando regressamos ao mundo enviados em missão.
Quando entramos e fazemos a genuflexão, não o fazemos perante uma imagem, um símbolo vazio ou uma tradição estética. Fazemo-lo diante de Cristo vivo, realmente presente. É um acto de adoração, não de hábito.
Cada gesto do corpo tem um significado espiritual profundo. Quando nos levantamos, recordamos a Ressurreição — erguemo-nos com Cristo, chamados a uma vida nova. Quando nos ajoelhamos, não é submissão cega, mas descida interior: é como se entrássemos na nossa própria pobreza, sepultando ali o pecado, o orgulho, as feridas, tudo aquilo que precisa de redenção. E, desse lugar de humildade, somos novamente levantadas por Ele.
A Missa é movimento pascal. É morrer e ressuscitar com Cristo, vezes sem conta, até que essa verdade deixe de ser apenas celebrada e passe a ser vivida.
Cristo está crucificado diante de nós não como ornamento, nem como recordação histórica distante, mas como memória viva de que a Cruz não é abstração. Ali estão os nossos pecados. Ali está a nossa fragilidade humana. Ali está, paradoxalmente, a maior prova de amor que alguma vez nos foi dada.
Nada na Missa é vazio. Nada é repetição inútil. Tudo é linguagem — uma linguagem que não se compreende apenas com a razão, mas com o coração que se deixa formar.
Eu não participo na Missa como espectadora. Participo como quem aprende, como quem ainda tropeça, como quem ainda não sabe tudo — mas sabe que encontrou um caminho. E é precisamente por ainda estar a aprender que falo com reverência, com cuidado, e com a consciência de que a fé não se impõe: testemunha-se.
Ser católica, para mim, não é possuir respostas fáceis. É entrar todos os dias neste mistério, deixar-me transformar, e aceitar que a verdadeira compreensão não nasce da crítica exterior, mas da experiência vivida.
E essa experiência, longe de ser monótona, é inesgotavelmente viva.
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