"Entre a tensão e o tesão"
U ma breve meditação linguística sobre o corpo, a palavra e o tempo Confesso: há títulos que nos capturam antes mesmo de compreendermos porquê. Não pela superficialidade do impacto imediato, mas pela inquietação silenciosa que deixam a ecoar no pensamento. Foi precisamente isso que me aconteceu ao deparar-me com uma manchete aparentemente trivial, mas linguisticamente provocadora: a associação entre um gesto doméstico banal e uma palavra carregada de história, ambiguidade e, sobretudo, transformação semântica. E foi nesse instante — entre o sorriso e a reflexão — que a minha curiosidade se instalou. Porque há palavras que não são apenas palavras: são trajectos. São camadas de tempo, de cultura, de moralidade e de uso. “Tesão” é uma delas. Trata-se, desde logo, de um termo que, em muitos contextos, permanece envolto numa certa reserva social. Classificado como tabuísmo, é frequentemente evitado em discursos formais ou familiares, como se a própria palavra carregasse um excesso ...