"Sou, tento ser"
Caros leitores, não sei se sou, de facto, uma boa pessoa. Talvez nunca o venha a saber. Mas tento. E, no fundo, acredito que há mérito nesse esforço silencioso — o de tentar, todos os dias, ser um pouco melhor do que fui ontem. Por vezes perco-me, desoriento-me nos labirintos da vida, nas curvas apertadas do tempo e das circunstâncias. Mas reencontro-me sempre. Há em mim uma bússola invisível, talvez feita de fé, talvez de teimosia, que me guia de volta a mim mesma.
Aprendi que há quem não goste de mim, e está tudo bem. Não me causa dor, nem me desvia do que sou. Já não preciso de agradar a todos, porque percebi que a harmonia não nasce da unanimidade, mas da paz interior. O olhar alheio deixou de ser o espelho onde me via — hoje, o meu reflexo habita dentro de mim, no silêncio das minhas intenções, no peso das minhas escolhas.
Com os meus filhos é diferente. A eles ensino que errar é parte do caminho, que os erros não são monstros, mas professores. Peço-lhes apenas que não errem de forma irreversível — que não se magoem ao ponto de não conseguirem regressar a si próprios. O erro, quando bem entendido, é crescimento. E eu própria cresci tanto através dos meus equívocos.
Vivi intensamente o tempo em que me viam como perfeita — quando acreditavam que eu sabia tudo, que tinha força para tudo, que nada me derrubava. Essa ilusão maternal é doce e cruel ao mesmo tempo: é um pedestal feito de amor, mas também de fragilidade. Porque um dia — e esse dia chegará, como tudo o que é inevitável — deixarão de me ver assim. Deixarei de ser a mais linda, a mais forte, a mais sábia. Deixarei de ser o centro da sua admiração. E, ainda assim, não tem mal.
Quero que saibam que, mesmo quando deixarem de me ver como a mulher invencível que julgavam que eu era, continuarei a ser o mesmo abrigo. Serei o colo que acolhe, o silêncio que compreende, o olhar que perdoa. A maternidade é isso — uma forma de amor que não depende da glória, mas da entrega. Não preciso que me vejam como perfeita; basta-me que saibam que estarei sempre aqui, inteira, ainda que imperfeita.
Sou feita de dúvidas, de força e de ternura. Sou humana, e nisso reside a minha verdade mais profunda. Não sei se sou boa pessoa, mas sei que amo com verdade — e talvez isso, afinal, seja o mais próximo da bondade que se pode ser.
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