"O Porto do Meu Projecto"

Quando idealizei este projecto, ele surgiu em mim como uma centelha divina — uma ideia que não pedi, mas que me escolheu. Não nasceu do acaso, mas da convicção profunda de que algo precisava de existir, de tomar forma, de ganhar voz através de mim. Desde o primeiro instante, senti que não era apenas um plano, mas um chamamento. Uma missão.

Naquele tempo, na pureza do início, acreditei saber quem caminharia ao meu lado. Vi nessa pessoa o reflexo de tudo o que julgava necessário: competência, sensibilidade, uma rara humanidade que se alia à inteligência e à visão. Acreditei, com fé quase cega, que seria a companheira ideal desta jornada.

Mas o tempo — esse mestre silencioso — e Deus, com a sua sabedoria que tantas vezes ultrapassa a nossa compreensão, mostraram-me outra verdade. Com serenidade, mas também com firmeza, revelaram-me que aquela pessoa, que eu via como essencial, não era afinal a certa. Por muito que o meu coração resistisse, tive de aceitar que há caminhos que se cruzam apenas para nos ensinar — não para nos acompanhar até ao destino.

E assim, compreendi que o projecto, embora nascido do meu sonho, não dependia de uma presença em particular. O que é verdadeiramente inspirado por Deus nunca se perde, apenas muda de forma. Avança agora com outras personagens, outros timbres, outras energias — e avança porque deve avançar. Porque é demasiado importante, demasiado verdadeiro, para não acontecer.

Hoje, olho para este percurso com um misto de emoções: orgulho e humildade, alegria e gratidão. Orgulho, porque vejo erguer-se algo que outrora habitava apenas o território do pensamento. Humildade, porque sei que não fui eu sozinha — foi a mão divina que orientou os ventos, afastou quem tinha de sair e colocou quem devia ficar.

Sinto uma paz profunda em perceber que o plano maior sempre prevalece sobre o nosso. Que o que parecia perda era, afinal, protecção. Que o desvio era direcção.

Um dia, quando o projecto estiver concluído e solidamente enraizado, contarei a história toda — não apenas do que foi feito, mas do que foi vivido, aprendido e revelado. Falarei então com a serenidade de quem compreendeu que tudo tem o seu tempo e o seu propósito.

Porque este projecto não é apenas uma criação. É uma prova.

Uma prova de fé, de persistência, de confiança no invisível. Uma prova de humanidade e empatia. 

E, acima de tudo, uma confirmação luminosa de que Deus nunca se engana — apenas nos guia, mesmo quando não entendemos o caminho.

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