"Grito da escolha"
Tu acreditas que só escolhes quando dizes “sim” ou “não”, quando falas em voz alta, quando decides em frente de todos. Mas escuta-me: até o silêncio é escolha. Até a omissão é decisão. Cada vez que não mudas, tu consentes. Cada vez que calas, tu aceitas. E, ao aceitar, estás a amarrar-te, com as tuas próprias mãos, ao mesmo lugar.
Não te iludas. Não são as circunstâncias que te acorrentam. És tu. És tu que, ao não agir, transformas as correntes em hábito. És tu que, ao não mudar, decides continuar. O trabalho que não te nutre, o relacionamento que já não floresce, os hábitos que corroem mais do que constroem — nada disso te aprisiona por si só. O que te prende é a tua omissão.
E essa omissão é traiçoeira. Parece calma, parece neutra, parece paz… mas é apenas resignação. Uma aceitação que se veste de conforto, mas que rouba os dias, depois os meses, depois os anos. E quando finalmente acordas, já não reconheces quem és, porque foste tecendo em silêncio a tua própria prisão.
Eu sei: mudar dói. Dói como arrancar raízes. Dói como perder pele. Dói porque há sempre algo a deixar para trás. Mas escuta-me bem: ficar parado dói muito mais. A dor de não mudar é lenta, corrosiva, invisível. É a ferrugem da alma. É a morte em vida.
E então, pergunto-te, sem piedade:
Quantas coisas suportas em silêncio apenas porque escolheste não mudar?
Quantas vezes te convences que “um dia” irás, quando, no fundo, sabes que “um dia” nunca chega?
Quantas vezes toleras, em nome do medo, aquilo que já não tem vida?
Não escolher é já escolher.
Não mudar é já condenar-se.
A cada dia em que ficas parado, tu decides perder a chance de ser quem poderias ser.
Mas lembra-te: o destino não se escreve sozinho. És tu a caneta. És tu a tinta. És tu a mão. A vida pede-te coragem, pede-te movimento, pede-te o gesto rasgado de cortar o que já não é, para abrir espaço ao que pode vir a ser.
Ergue-te. Rompe. Desafia.
Não deixes que a tua história seja o eco do silêncio.
Não permitas que a tua identidade se dissolva na aceitação muda.
Não consintas que os anos se esvaiam sem que a tua alma floresça.
Porque cada escolha que não fazes é um pedaço de ti que perdes.
E cada escolha que ousas fazer é um pedaço de ti que se reencontra.
Levanta-te do lugar onde já não vives.
Muda, ainda que doa.
Muda, ainda que temas.
Muda, porque o preço de ficar é sempre maior do que a dor de partir.
Não adies a vida.
Não silencies a tua alma.
Escolhe. Hoje. Agora. Sempre.
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"Texto de autoria de(tecehistorias ) <Marisa>, publicado em Fios de Imaginação(@"fios de imaginação") (@tecehistorias)."
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