"Conselho aos Pais: Educação, Liberdade e Responsabilidade Partilhada"

Introdução

Conselho aos Pais, de Célestin Freinet, é uma obra que ultrapassa a fronteira da sala de aula e dirige-se ao espaço íntimo e decisivo da educação: a família. Foi um dos livros que decorei e na altura concordava com tudo, após certas vivências adaptei sem perder a essência do que aprendi. O pedagogo francês recorda que a escola, por mais transformadora seja, não pode assumir sozinha a responsabilidade de formar crianças livres, conscientes e criativas. A relação entre pais e filhos, os exemplos do quotidiano e a coerência entre discurso e prática são pilares fundamentais para o desenvolvimento integral da criança.

Ao contrário de abordagens normativas ou moralistas, Freinet dirige-se aos pais com a mesma lucidez e humanidade que orientam a sua pedagogia escolar: apelando ao bom senso, à confiança e ao respeito pela singularidade de cada criança. A educação, para ele, não é imposição rígida, mas diálogo vivo entre gerações. Algo que concordo plenamente e ponho em prática.


O papel dos pais na educação

Freinet sublinha que os pais são os primeiros educadores, e que a criança aprende tanto ou mais com os gestos, atitudes e valores vividos em casa do que com as lições transmitidas na escola. O exemplo quotidiano — como se lida com o trabalho, como se respeitam os outros, como se enfrenta a dificuldade — torna-se lição silenciosa mas poderosa.

Neste sentido, Conselho aos Pais adverte contra uma educação baseada apenas em mandamentos ou sanções. O verdadeiro papel dos pais é acompanhar, apoiar e confiar, oferecendo liberdade responsável em vez de controlo sufocante. O afeto, o diálogo e a escuta são tão essenciais quanto o estudo ou a disciplina.


Respeito pela singularidade da criança

Tal como na escola, também na família Freinet insiste que cada criança é única. O erro frequente dos pais é querer formatar os filhos segundo modelos pré-concebidos, esquecendo que cada um traz consigo um ritmo próprio, uma sensibilidade particular e um modo singular de se relacionar com o mundo. Exatamente por este facto que tenho dois filho que têm os mesmos valores e a mesma sede de aprender, mas utilizamos adaptações para respeitar a singularidade de nossos filhos, respeitamos a criança, escutamos e com amor e pelo exemplo.

O Conselho aos Pais é, assim, um apelo ao respeito pela individualidade, a não esmagar talentos em nome de convenções sociais e a não medir o valor da criança apenas por notas, obediência ou padrões externos. Educar é ajudar a florescer, não moldar à força.


A continuidade entre casa e escola

Freinet insiste na aliança entre família e escola, não é necessário existir diálogo ou troca de informação, para mim claro. A aprendizagem não se limita às paredes da sala de aula; deve prolongar-se na vida quotidiana, na leitura partilhada, no diálogo, na curiosidade estimulada em casa. Os pais não devem ver a escola como mero lugar de instrução, nem os professores como substitutos da sua missão educativa.

A cooperação entre pais e professores, fundada no respeito mútuo e na partilha de responsabilidades, é essencial para que a criança cresça de forma harmoniosa, no passado acreditava que era necessário, mas encontrei uma forma de fazer tudo resultar sem cooperação, faço o que acredito sem diálogos entre casa e escola , apenas mantenho o diálogo com meu filho e se a escola precisar de alguma coisa informa eu analiso e respondo quando extremamente necessário. Escola trata a parte académica  nós família tratamos de educar, motivar e ajudar, além de manter o interesse em aprender educamos. De forma a que não exista contradição entre a mensagem familiar e a mensagem escolar,assim, a criança não perde confiança, não vive conflitos internos e não arrisca-se a desorientar-se. 


Comparações com outros pedagogos

Maria Montessori: também ela defende que a educação começa em casa, onde se deve preparar um ambiente adequado para a autonomia da criança.

John Dewey: sublinha a importância da experiência vivida no quotidiano como motor de aprendizagem, uma ideia próxima da valorização do exemplo parental em Freinet.

Paulo Freire: embora mais focado na escola e na alfabetização, partilha com Freinet a visão da educação como prática de liberdade, onde a palavra da criança e do jovem deve ser ouvida e respeitada.


Assim, Conselho aos Pais coloca-se na mesma linha de uma pedagogia emancipadora, mas com um foco especial na corresponsabilidade entre família e escola.


Ética e responsabilidade partilhada

A mensagem de Freinet não é apenas pedagógica, mas também ética. Educar não é tarefa delegável; é responsabilidade partilhada entre pais, professores e comunidade. Conselho aos Pais recorda que a criança não é um ser a “corrigir” ou a “domesticar”, mas um sujeito a ajudar a crescer em liberdade, dignidade e solidariedade.

Os pais são chamados a assumir esse dever não por obrigação formal, mas por amor e compromisso. O afeto e o respeito pelo ser em formação são a verdadeira base de uma educação que prepara cidadãos conscientes e solidários.


Conclusão

Conselho aos Pais é uma obra de extraordinária atualidade. Numa época em que muitas famílias vivem pressionadas pelo tempo, pela produtividade e pela delegação excessiva da educação à escola, Freinet recorda-nos que o exemplo vivido em casa, a escuta atenta e o respeito pela singularidade da criança são insubstituíveis.

O livro é, ao mesmo tempo, guia prático, reflexão ética e manifesto humanista: um apelo a que pais e mães não abdiquem da sua missão educativa, mas a cumpram com amor, bom senso e confiança. Porque, no fim, educar não é formatar — é libertar.

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"Texto de autoria de(tecehistorias ) <Marisa>, publicado em Fios de Imaginação(@"fios de imaginação") (@tecehistorias)."

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