"o que me cativa"
______________________________________________
O que me cativa… não é o que o mundo celebra.
Não é estatuto, posses ou beleza.
Atenção — não é que não goste do belo.
Apraz-me ver um rosto harmonioso, um corpo bem cuidado, um sorriso que encanta.
Mas o que realmente me cativa é o que transcende o olhar:
a profundidade, a verdade, a inteligência, os valores.
Gosto de pessoas autênticas — das que vivem com a alma à mostra,
das que falam com o coração e escutam com os olhos.
Gosto de artistas — não apenas os que pintam ou tocam,
mas os que vivem como arte, os que respiram sentimento,
os que fazem de um gesto simples uma declaração de amor à vida.
Gosto de pessoas bem resolvidas, mas humildes.
De quem tem brilho próprio e, ainda assim, sabe oferecer sombra.
De quem abraça demoradamente, sem pressa,
e nesse abraço transmite calor, paz, honestidade e compreensão.
Gosto de mãos que seguram com respeito,
de olhares que falam em silêncio,
de presenças que confortam sem precisar de palavras.
Gosto de ver um filme com alguém que sente —
que chora, ri, se comove, que não teme mostrar emoção.
Gosto de conversas longas, desorganizadas e sinceras,
daquelas que flutuam de tema em tema,
onde o tempo se dissolve e o que importa é o encontro de almas.
Cativa-me a coerência — entre o que se pensa, o que se diz e o que se vive.
Cativa-me o respeito, o altruísmo, a escuta verdadeira.
Cativa-me quem tem presença — não apenas corpo, mas alma viva e desperta.
Sou movida por quem vibra na mesma frequência do amor,
por quem não se envergonha de ser bom,
por quem sente Deus em tudo o que toca.
Gosto da luz serena dos que caminham com fé.
Daqueles que vivem com propósito,
que não buscam glória, mas significado.
Que não entram na vida dos outros para deixar confusão,
mas para deixar paz.
Cativa-me o humano bonito —
o imperfeito que tenta, o sensível que sente, o forte que também desaba.
Cativa-me quem escolhe o amor mesmo cansado.
Quem não desiste da ternura mesmo ferido.
Quem vive com o coração aceso, ainda que o mundo sopre frio.
Mas também me cativa o pensar.
A lógica, a ciência, a busca pela verdade que liberta.
Cativa-me o mistério da mente —
essa centelha divina que nos torna capazes de compreender, inventar e aprender.
Gosto da razão, porque ela é irmã da fé.
Gosto da ciência, porque ela é poesia em linguagem matemática.
É a arte de decifrar o divino através do visível.
A física que revela o cosmos, a biologia que explica o milagre da vida,
a psicologia que mergulha na alma,
a filosofia que procura o sentido,
a arte que une tudo — o pensar, o sentir, o transcender.
Cativa-me quem pensa com profundidade,
quem duvida com humildade,
quem procura sem soberba.
Gosto de mentes que aprendem, desaprendem e voltam a aprender.
De quem lê o mundo com curiosidade infantil e discernimento adulto.
De quem estuda para compreender, não para dominar.
Gosto da clareza mental, da argumentação lúcida, da lógica elegante.
Mas gosto ainda mais quando essa inteligência vem acompanhada de doçura.
Porque a razão sem empatia é estéril,
e o amor sem discernimento é cego.
A sabedoria verdadeira é a união dos dois —
a mente que ilumina e o coração que aquece.
Cativa-me quem estuda o universo e ainda se emociona com o pôr-do-sol.
Quem lê Hawking e sente Deus.
Quem acredita na ciência e na oração, no cálculo e no milagre.
Cativa-me a fusão do racional e do espiritua— o pensar que se ajoelha diante do mistério, a fé que não teme o conhecimento,
a mente que se expande sem perder a humildade.
Gosto de aprender.
Aprender é, para mim, um acto de amor.
Cada vez que compreendo algo novo, sinto uma centelha divina acender-se dentro de mim.
Porque o saber é também uma forma de oração.
Aprender é louvar o Criador através da curiosidade e da consciência.
Cativa-me o diálogo entre o cérebro e o coração.
A razão que se faz ternura, a emoção que se faz lucidez.
Cativa-me quem pensa com amor e ama com entendimento.
Quem estuda, mas não perde a capacidade de sentir.
Quem sente, mas sabe também raciocinar.
Gosto do equilíbrio — o ponto onde o humano toca o divino.
Onde a fé se torna lógica e a lógica se curva à fé.
Onde a alma e a mente se reconhecem,
não como opostos, mas como complementos perfeitos.
O que me cativa, no fundo, é a totalidade do ser humano.
A luz e a sombra, o riso e o pranto, o cálculo e o sonho.
A alma que sente e a mente que compreende.
Cativa-me quem vive desperto — quem sente profundamente e pensa com clareza.
Porque viver é uma arte que pede equilíbrio.
E amar é o gesto mais inteligente que existe.
A vida ensina-me que o verdadeiro saber é humilde,
que o verdadeiro amor é lúcido,
que a verdadeira fé é racional,
e que a verdadeira razão é espiritual.
E é por isso que, quando o passado bate à minha porta,
eu já não o temo.
Acolho-o com sabedoria,
agradeço a lição,
e sigo — inteira, desperta, em paz.
✨ Porque o que verdadeiramente me cativa é a plenitude:
o ser inteiro, o pensar profundo, o sentir verdadeiro, o aprender constante.
É a alma que ama e a mente que entende.
É o humano que, ao reconhecer-se, toca o divino.
Comentários
Enviar um comentário